09 de julho de 2026
Articulistas

O possível segundo mandato


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Caso Lula ganhe esta eleição, veremos quatro anos bastante diferentes. Não apenas PSDB e PFL mas também os segmentos historicamente ligados a Lula estarão mais atentos para identificar desvios de conduta e dispostos a agir. Note-se que não eram Lula e José Dirceu que faziam o PT diferente, mas as milhares de pessoas que acreditavam numa lógica econômica alternativa. Embora a Humanidade tenha pago um alto preço testando e verificando a inviabilidade prática dessa alternativa, em vários países ainda há idealistas irredutíveis na sua crença. O bolsão dessas pessoas no Brasil foi a força real do PT, espertamente manipulada pelos Dirceus e Lulas da vida.

As experiências Petistas em municípios e estados sempre teve o governo federal como conveniente culpado pela economia local, mesmo quando eram evidentes a corrupção e a incompetência administrativa. Foi quando assumiu o governo federal que o PT, pela primeira vez, teve um choque de realidade. Ainda refém dos temores internos e externos pré-eleição, Lula não poderia arriscar-se a um retrocesso na recém-conquistada ordem econômica. O pragmatismo e a determinação de manter o recém-conquistado poder levaram Lula a vencer os setores idealistas. Optou por uma surpreendente continuação de FHC. Economia (intensificada), programas sociais (rebatizados), e desvios éticos (intensificados, ampliados e expostos). Os setores idealistas foram pacientes por um tempo mas, com a decepção e a desesperança crescentes, vieram os protestos, conflitos, expulsões e a oposição declarada. Num novo mandato, Lula não poderá contar com o apoio ou a passividade desses setores. PSDB e PFL, por outro lado, terão aprendido que negligenciar o impedimento quando houve claras condições para isso, foi um grosseiro erro de cálculo. Um outro fator de risco num segundo mandato será o comportamento dos ‘companheiros’ Chavez, Evo e Kischener. Chavez tem usado os recursos do petróleo para conquistar influência nos países mais fracos, chegando a optar por uma posição hostil ao Brasil no caso da Bolívia. Evo tende a alternar-se com Kischener em criar dificuldades para o Brasil. Às beiras da eleição, parece haver uma trégua do trio, porém é de se esperar que os problemas recomecem após as eleições. Em continuando sua desastrada política exterior, Lula aumentará a preocupação de importantes setores no país. Num possível segundo mandato, Lula terá a chance de fazer uma correção de rumo drástica e clara. Em não o fazendo, a soma de seus erros com sua atitude cínica frente aos erros dos auxiliares e a arrogância de colocar-se como modelo de virtude continuará a elevar a pressão política.

A essa altura, restarão a Lula os habituais setores mercenários, sempre dispostos a vender-se, e os grupos pseudo-sociais como o MST, já sem qualquer ideal e apenas buscando preservar um governo leniente com sua expansão.Eventualmente configurar-se-á uma nova oportunidade para uma proposta de impedimento do Presidente. Isso seria uma infelicidade, desviando o país mais uma vez do seu desenvolvimento. Como positivo, apenas o termos hoje a maturidade para conduzir o impedimento democrática e institucionalmente.

Isto não é um desejo nem uma profecia. Espero que o novo governo, seja qual for, imprima rumos substancialmente diferentes aos próximos quatro anos.

O autor, Daniel Druwe Araujo, é economista, consultor de empresas na Europa e Américas