08 de julho de 2026
Articulistas

O próximo Congresso


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O Brasil vive momento político delicado e preocupante. A campanha eleitoral vinha chocha, sem propostas ou discussões que empolgassem a opinião pública, mas nos últimos dias tomou um rumo que levará a desdobramentos pós-eleitoral não importa, tomando as pesquisas como base, se o Lula vence no primeiro ou segundo turno. As inúmeras trapalhadas eivadas de corrupção passaram a ser a marca do governo petista. Os resultados econômicos e alguns números positivos na área social, já não são suficientes para encobrir desmandos que semanalmente transformam páginas políticas em páginas policiais. O número de políticos que tiveram mandatos parlamentar cassados ou que foram afastados de funções públicas ou partidárias ou, ainda, estiveram envolvidos em escândalos dos mais diferentes tipos, não têm precedência na história republicana brasileira. É lamentável assistir como foi jogada no lixo, não só a esperança de milhões de brasileiros cansados das frustrações nessa área, mas a biografia de um partido originário de forças trabalhadoras organizadas, um avanço no quadro da redemocratização do País.

Se confirmadas nas urnas as pesquisas publicadas no último sábado, teremos um início de Legislatura que só encontra parâmetro, no aspecto político, nos anos 50 e início dos anos 60. Naquela época, período pós-ditadura Vargas (1945 a 1965), a UDN - União Democrática Nacional, partido político com forte apoio nas elites e na classe média conservadora urbanas, fazia oposição às chamadas forças populares representadas por Getúlio, Juscelino e Jango. Quando Juscelino foi eleito, 1955, a oposição dizia que ele não tomaria posse (realmente, teve dificuldades para tomar posse); se tomasse posse não governaria; se governasse não completaria o mandato e assim por diante. Guardadas as proporções, pois a diferença entre Juscelino e Lula é quilométrica, o zum-zum-zum nas esquinas, nos estados do sul e sudeste, é parecido com o que se dizia naquele período. O Lula vai chegar (se chegar) para seu segundo mandato, com seu partido e sua base parlamentar em frangalhos e terá muito trabalho para governar no clima em que está a política atual. Nem pensar em instrumentos como mensalão, mensalinho ou outros expedientes condenados pela sociedade para compor base parlamentar de apoio. Do próximo Congresso será exigido, no mínimo, conduta proba e uma relação republicana com o Poder Executivo. A reforma partidária produto das cláusulas de barreira é uma realidade que o Parlamento vai enfrentar logo no primeiro dia, não há como fugir. No bojo dessa discussão poderá alçar vôo a reforma política, com voto distrital misto e outras coisas mais. A questão fiscal-tributária, juros, etc, entrará em debate nos primeiros meses, pois o baixo percentual de crescimento, perto de 3,5% em 2006, assim exige. Outras questões como a do meio ambiente, por exemplo, exigirá tempo e compreensão para conciliar desenvolvimento e respeito à natureza. A tudo isso e mais alguma coisa, soma-se o fato da oposição sair das urnas raivosa em virtude de ter tido um adversário, embora tisnado por inúmeros escândalos, vitorioso.

Não existirá espaço, na próxima Legislatura, para aqueles que gostam de “estar” deputado ou senador apenas para enriquecer currículo, massagear o ego, ou interesses outros. O próximo quatriênio exigirá dos deputados e senadores muito esforço e experiência para sustentar a governabilidade sem abrir mão de princípios básicos. Os exemplos do passado demonstraram que a estratégia de buscar o Poder a qualquer custo não constrói nada, pelo contrário, só fermenta o atraso. É preciso lutar para que a democracia não desande e, ao mesmo tempo, o País se desenvolva com justiça social. O próximo Congresso será fundamental no quadro de incertezas que estamos vivendo.

O autor, Tidei de Lima, é e engenheiro civil; foi deputado federal - 1978/92 -, secretário da Agricultura - 1987/88 - e prefeito de Bauru - 1993-96