10 de julho de 2026
Geral

Transurb analisará a insegurança nos coletivos em Bauru

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 3 min

A Associação das Empresas do Transporte Coletivo Urbano de Bauru (Transurb) vai verificar a procedência da denúncia feita pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) de que os motoristas que trabalham no transporte coletivo de Bauru estariam correndo riscos de segurança nos dias e horários em que ficam sem os cobradores. Conforme a denúncia, os trabalhadores estão sendo obrigados a cobrar as passagens ao mesmo tempo em que dirigem.

A informação foi comunicada ao Ministério Público do Trabalho (MPT), que convocou uma audiência anteontem, entre a CUT, Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário (Sindtran) de Bauru, Conselho de Usuários, a Transurb e a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) para discutir o assunto.

A assessoria de imprensa da Transurb adiantou que o grupo não recebeu nenhum tipo de reclamação quanto à falta de segurança dos motoristas, mas afirmou que a partir da próxima semana a denúncia será investigada.

“As empresas desconhecem a situação de insegurança do trabalho no desempenho das funções de motoristas. De fato, os funcionários são expressamente proibidos de realizar atividades de forma simultânea. Entretanto, em atenção ao pedido de informações, as empresas realizarão rigoroso acompanhamento, oferecendo os resultados ao Ministério Público do Trabalho”, informou a Transurb em nota enviada através de sua assessoria.

O procurador do Trabalho Cássio Calvilani Dalla-Déa, que convocou a reunião realizada anteontem, propôs prazo de 15 dias para que a Transurb apresente proposta de regularizar a situação. Conforme ele, a fiscalização do Ministério do Trabalho (MT) flagrou situações de risco de segurança para os motoristas e para os usuários. “Portanto, cabe ao MPT discutir a garantia de que este problema será corrigido”, acrescenta.

Calvilani não descarta a possibilidade de recorrer à Justiça caso a Transurb não se manifeste sobre o caso.

Desde maio de 2005, através de acordo entre a Transurb e a Emdurb - empresa responsável pela gestão do transporte em Bauru - os coletivos circulam sem os cobradores aos domingos e feriados, e durante a semana a partir das 20h. O sistema entrou em operação com o argumento de que nesses dias e horários a demanda de passageiros é pequena, além do pagamento da passagem com o cartão eletrônico ser bem superior que em dinheiro.

A CUT entende que a retirada dos cobradores tem resultado, principalmente, na queda da qualidade do serviço e na extinção de postos de trabalho. “Os motoristas perdem qualidade do trabalho na medida em que são obrigados a dirigir, cobrar passagens, oferecer troco, liberar a catraca, conversar com os passageiros. São tarefas que levam à possibilidade eminente de acidentes de trânsito, incidentes com usuários e atraso do percurso das linhas”, ressalta a CUT através de sua assessoria de imprensa.

De acordo com a Transurb – que representa as companhias de transporte Grande Bauru, Bauru Trans e Cidade Sem Limites –, o novo sistema não ocasionou redução no quadro de cobradores da empresa. Os funcionários, segundo a assessoria, foram reaproveitados em outros cargos, principalmente como motoristas e no setor de administração. O grupo possui atualmente frota de 214 veículos e um total de 450 motoristas e 250 cobradores.

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Insatisfação

A reclamação entre os motoristas quanto à falta de cobradores é freqüente. Eles alegam acúmulo de funções e queda na qualidade do serviço. José Rodrigues, 54 anos, é um exemplo. Ele conta que se sente inseguro quando começa a trabalhar sem o cobrador.

“Um dia, quase derrubei uma mulher que estava com um bebê no colo, porque não consegui vê-la. Se tem o cobrador, ele observa isso para o motorista. A insegurança é muito grande, inclusive para os passageiros”, acrescenta.

Rodrigues também diz que as cobranças de passagem que ele precisa fazer diretamente com os usuários atrasam o horário que o coletivo tem de cumprir entre todos os pontos da linha.