11 de julho de 2026
Nacional

Polícia Federal já tem dados sobre quem sacou uma parte do dinheiro

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - A Polícia Federal (PF) já recebeu dados do Banco Central (BC) que podem ajudar a identificar quem sacou US$ 110 mil do banco Sofisa, de São Paulo, e R$ 25 mil dos bancos Bradesco, Bank Boston e Safra. O dinheiro é parte do R$ 1,7 milhão que seriam usados pelo PT para comprar um dossiê contra políticos tucanos.

Os valores em reais foram identificados porque estavam com tarjas dos bancos. Com relação aos dólares, a PF conseguiu identificar parte do encontrado -num total de US$ 248 mil- porque as notas estavam seriadas. A PF também recebeu ajuda do FMI.

A partir das informações dos sigilos dos bancos repassadas pelo Banco Central a mando da Justiça de Mato Grosso, a PF espera descobrir quem sacou os valores e a origem do dinheiro. Não está descartada a suspeita de que sejam recursos de caixa dois, o que pode ser caracterizado como crime eleitoral com implicações na campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição. Com autorização da Justiça, o BC quebrou os sigilos dos bancos do Brasil, Bradesco, Bank Boston e Safra dos dias 29 de agosto a 15 de setembro.

O BC identificou os saques acima de R$ 10 mil, ou acima de R$ 2 mil no caso de saques seqüenciados e que ultrapassarem R$ 10 mil, de todas as agências dos quatro bancos em São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro. No caso dos dólares, a quebra do sigilo é referente ao período de 17 de agosto a 14 de setembro. Foram enviadas informações sobre operações do Sofisa feitas por casas de câmbio e pessoas físicas acima de US$ 10 mil.

Vazamento

O superintendente da Polícia Federal em São Paulo, Geraldo José de Araújo, classificou como grave o vazamento das fotos do dinheiro apreendido pela PF com Valdebran Padilha e Gedimar Pereira Passos. Araújo afirmou que estas fotos foram feitas anteontem durante perícia.

Segundo Araújo, não há dúvidas de que a intenção foi a de interferir no processo eleitoral. “Há uma grande possibilidade de a prova técnica (que ainda será produzida) mostrar de onde saiu a fotografia que foi conduzida à imprensa”, disse o superintendente. Ele também disse que as fotos do dinheiro foram feitas por cinco peritos e pelo delegado federal Edmilson Pereira Bruno, que afirmou nesta tarde que as fotos foram roubadas.

“As fotos não têm o menor valor jurídico, mas têm, com certeza, valor político. E tudo que a Polícia Federal não quer é interferir no processo eleitoral.” Ele afirmou que as fotos do dinheiro apreendido não foram divulgadas na época da apreensão, no dia 15 de setembro, porque não queriam repetir a situação verificada na eleição de 2002, quando Roseana Sarney, então pré-candidata à Presidência pelo PFL, teria sido prejudicada depois que a PF fez apreensão de R$ 1,3 milhão na empresa Lunus Serviços e Participações, de Roseana e seu marido, Jorge Murad.