08 de julho de 2026
Nacional

Paralisação divide bancários

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - Os bancários estão divididos quanto à melhor estratégia para pressionar os bancos a conceder o reajuste salarial reivindicado. A oposição defendeu greve imediata e calcula que a paralisação envolveu ontem 80 mil trabalhadores. Já a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), que coordena 95% dos sindicatos da categoria, não confirmou o número.

A greve por tempo indeterminado foi decidida por quatro sindicatos estaduais e seis locais. Os demais acompanham o calendário do comando nacional e aguardam a negociação marcada para a próxima terça-feira e a assembléia de quarta.

A greve geral deve começar na quinta. “São sindicatos importantes, é claro, mas a greve envolve a minoria da categoria. A grande maioria vai aguardar a rodada de negociação”, disse Vagner Freitas. Segundo ele, a decisão não tem relação com o primeiro turno das eleições, que acontece no próximo domingo. “Aguardamos porque havia uma agenda de negociação, que não está esgotada, e porque é preciso mobilização para uma greve alcançar os seus objetivos”, disse. Alguns sindicatos que aderiram à greve são da base da Contraf, outros não.

Na semana que vem, a partir de quinta-feira, a paralisação deve ser geral e nacional, como no ano passado, quando a categoria parou por seis dias. Segundo Freitas, como a proposta da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) foi muito baixa, de 2%, a greve neste ano deve durar mais tempo que a de 2005. A divisão entre os sindicatos pode enfraquecer o movimento. “O patrão fica mais tranqüilo quando percebe que não há mobilização”, disse Freitas.

Os bancários pedem reposição da inflação, 7,05% de aumento real e participação nos lucros. Os bancos oferecem 2%. A Fenaban também propôs o pagamento de PLR de 80% do salário mais R$ 816,00 de parte fixa. Nos bancos em que o lucro cresceu ao menos 25% neste ano, a PLR seria acrescida ainda de R$ 500,00.

No ano passado, quando houve greve de seis dias, os bancários receberam reajuste de 6% (1% de aumento real), mais R$ 1.700,00 de abono e PLR (participação nos lucros e resultados) mínima de 80% do salário mais R$ 800,00. Na última terça-feira, os bancários fizeram uma greve de 24 horas que parou 120 mil dos 400 mil bancários, segundo balanço da Contraf-CUT.

A Fenaban informou que “os representantes dos bancos não contam com a possibilidade de greve, pois significaria a negação do processo negocial”.

A federação disse, não sabe se os sindicatos vão apresentar contraproposta ou se vão discutir a proposta apresentada pela Fenaban. “Esse é o processo normal de negociação a partir de agora, com propostas e contrapropostas até que seja celebrado um novo acordo.”