Moscou - A tensão entre a Rússia e a Geórgia atingiu novo patamar ontem, com Moscou acusando membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan, a aliança militar ocidental) de contrabandear armamento para a ex-república soviética e ameaçando reconsiderar a retirada de suas tropas do país, marcada para 2008.
Mais de 80 diplomatas russos e suas famílias deixaram a Geórgia ontem, em resposta à prisão de cinco militares russos, acusados de montar uma rede de espionagem para enfraquecer o governo georgiano, pró-Ocidente. Quatro foram indiciados e devem ficar pelo menos mais dois meses presos; o quinto foi solto.
Em reunião com membros da Otan, o ministro da Defesa russo, Sergei Ivanov, acusou países europeus de vender armas soviéticas à Geórgia ilegalmente, citando sua “geração mais recente de membros’’ - referência a países do Leste Europeu. A Otan afirmou que a venda de armas não é ilegal, já que não há embargo.
O ministro disse ainda que a prisão dos militares era uma tentativa de forçar a saída das tropas de paz russas do país, para que o governo da Geórgia pudesse pôr em prática uma “solução militar’’ para os conflitos nas Províncias separatistas de Ossétia do Sul e Abkházia. A Rússia tem duas bases militares na Geórgia, resquícios da era soviética. Hoje, sua Força Aérea fez exercícios próximo ao Alasca, inclusive com bombardeiros.