08 de julho de 2026
Internacional

Caso Saddam gera um assassinato

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Bagdá - Homens armados mataram ontem Kadhim Abdul Hussein, cunhado do juiz que preside o julgamento de Saddam Hussein por genocídio contra os curdos. A mulher e os dois filhos de Abden Hussein também foram atacados. Todos se feriram gravemente e foram hospitalizados.

A família foi atacada quando se preparava para deixar a casa em que viviam, acompanhada por um caminhão de mudança. Eles haviam resolvido se mudar para escapar da violência sectária que atinge a região.

Aparentemente, o ataque foi uma represália às três vezes em que o ex-ditador foi expulso do tribunal por discutir ou desacatar o atual juiz do caso, Mohammed Oreibi al Khalifa. Se isso for confirmado, esta será a primeira vez que a violência que envolve os julgamentos de Saddam sinaliza uma intimidação direta aos membros do tribunal - apoiados pelos Estados Unidos.

No último ano, três advogados da defesa de Saddam foram assassinados. Al khalifa - que substituiu o juiz anterior, acusado de ser complacente com Saddam - preside desde o final de agosto o processo do ex-ditador e de seis de seus colaboradores, julgados pela Operação Anfal, nome da campanha de ataques maciços lançados pelo Exército iraquiano entre 1987 e 1988 contra a comunidade curda no norte do Iraque. Saddam e os outros réus podem ser condenados à pena de morte pelos crimes.

Ontem, a polícia iraquiana encontrou 25 corpos espalhados por Bagdá nas últimas 24 horas, nove deles dentro de um carro-bomba. Anteontem, a mesma cena se repetiu nas ruas da Capital, quando 40 corpos foram achados.

A quantidade de vítimas encontradas em becos e ruas de Bagdá exibem a falta de controle da Defesa iraquiana e da coalizão liderada pelos Estados Unidos sobre a violência sectária que atinge o Iraque desde fevereiro último, quando um dos mais importantes templos xiitas no Iraque foi atacado na cidade de Samarra.

Mensagens de áudio atribuídas à rede terrorista Al-Qaeda no Iraque e divulgadas ontem e anteontem pedem que a insurgência realize mais ataques e atos de violência no país - incluindo seqüestros de estrangeiros e ataques biológicos.

____________________

‘Mentiroso’

Bagdá - O médico egípcio Ayman al Zawahiri, considerado o “braço direito” do líder da Al-Qaeda, o saudita Osama Bin Laden, qualificou o presidente americano, George W. Bush, de um “fracasso” e de “mentiroso” em um novo vídeo divulgado ontem na Internet.

Na gravação, o líder terrorista se refere ao “fracasso” de Bush na luta contra o terrorismo. “Bush, você é um fracasso e uma mentira. Três anos e meio se passaram, e nós (a Al-Qaeda) estamos mais fortes e ainda mais determinados a sermos mártires”, afirmou Al Zawahiri.

Na fita, o “braço direito” de Bin Laden também chama o papa Bento XVI de “charlatão” devido aos seus recentes comentários sobre o Islã. “Este charlatão (o papa) acusou o Islã de ser incompatível com a racionalidade, esquecendo-se que sua própria religião é incompatível com uma mente sensata”, criticou o líder da rede.

O novo vídeo foi o mais recente de uma séria divulgada por Al Zawahiri neste mês. A Al-Qaeda divulgou vários vídeos devido ao aniversário de cinco anos dos ataques de 11 de Setembro, aparentemente em uma demonstração de força, apesar da campanha antiterrorista dos EUA.