09 de julho de 2026
Articulistas

Compromissos de estadista


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As eleições de hoje significam muito para o Brasil, pois a realidade nacional já não permite o adiamento das prioridades, sob sério risco de inviabilizarem-se as soluções. Quanto tempo uma nação consegue conviver impunemente com desemprego de 11%, déficit social agudo, violência e baixo crescimento? Chegamos a uma situação em que não há alternativas: ou caminhamos em direção ao primeiro mundo, ou enfrentaremos mais um século de subdesenvolvimento.

Um aspecto positivo do processo político é que a sociedade brasileira, embora muitos pareçam ignorar, evoluiu muito em termos de mobilização, participação democrática e meios de encaminhamento de reivindicações. A sociedade aperfeiçoou seus meios de mobilização e reivindicação. Agora, o avanço da democracia exige que governantes assumam postura de estadista. Uma resposta que precisa ser dada.

Um exemplo desse processo de mudança na forma de reivindicar encontra-se na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A entidade tem apresentado estudos sérios e aprofundados, cuja concepção conta com reconhecidas mentes de vários setores de atividades e áreas do conhecimento, deixando clara e patente a viabilidade de numerosos projetos. A entidade realizou o “Congresso da Indústria”, no qual foram apresentados e/ou ratificados estudos contendo um consistente conjunto de propostas. Este verdadeiro documento-compromisso está sendo entregue a todos os candidatos à Presidência e, também, ao Governo Federal.

Outro bom exemplo é o estudo da Fiesp relativo à redução dos gastos públicos - uma alternativa para controlar a inflação e aumentar o volume de investimentos. O estudo propõe três providências: redução dos gastos em 2% ao ano, de 2006 a 2011, seguida da manutenção da despesa real entre 2012 e 2015; limite de crescimento da receita fiscal de 50% da taxa de expansão do PIB, com teto de 2,75% ao ano; e, a partir da conquista de superávit operacional, 90% do resultado auferido seriam destinados a investimentos e 10%, à amortização da dívida. O governo teria superávit operacional e haveria elevação da taxa de crescimento e dos investimentos estatais e privados.

A proposição de medidas, pertinentes e responsáveis, legitima ainda mais a cobrança aos candidatos que estão apresentando suas propostas, publicamente, no rádio e na tevê. Ninguém está prometendo miséria, desemprego, doença, violência e analfabetismo. Todos têm o discurso do desenvolvimento, do emprego, da saúde, da educação e da segurança. Assim a população, mais do que nunca, deve exigir o cumprimento das promessas, no âmbito das prerrogativas democráticas. Afinal, não se pode esquecer: jamais houve mudança histórica que não tenha partido da sociedade!

O autor, Paulo Skaf, é presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo - Fiesp