Próximo dos 60 anos, o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) mostra ao público a primeira grande retrospectiva de seu acervo. São cerca de 700 obras da coleção atual do museu, em sua maioria produzidas a partir dos anos 50, que ficarão expostas a partir de terça-feira na mostra “MAM na OCA: Arte Brasileira do Acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo”, com curadoria de Tadeu Chiarelli, Felipe Chaimovich e Cauê Alves.
Fundado em 1948 com a doação do acervo particular do industrial ítalo-brasileiro Francisco “Ciccillo” Matarazzo e de Yolanda Penteado, o MAM foi inaugurado no ano seguinte. Em 1962, Ciccillo instituiu a Fundação Bienal de São Paulo, e, em 1963, doou todo o acervo do MAM para o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (USP). Foi apenas no fim da década que o museu conseguiu centrar esforços na organização de uma nova coleção.
Para a exposição, uma das grandes propostas que norteou o trabalho dos curadores foi justamente a de combater essa espécie de trauma vivido pelo museu com a perda de seu acervo. Por mais interessantes que fossem as novas aquisições, elas causavam em diretores e funcionários mais antigos do MAM um sentimento de nostalgia. As novas obras nunca alcançariam a qualidade e a importância das antigas. Por isso, em vez de 1948, os curadores decidiram situar o início da trajetória do museu em 1968, quando começou a reconstituição do acervo.
Espaços
As obras do andar subterrâneo trabalham com o subsolo como metáfora do subconsciente do museu, ainda marcado pela ausência das obras perdidas em 1963. Essa ausência permitiu a criação de um “território de sombras” que transformou a situação do museu em uma metáfora da cultura brasileira e sul-americana, fundada nas ausências e nas imposições, muitas vezes acríticas, de um saber hegemônico.
Foram selecionadas para essa reflexão mais de 200 obras “traidoras” dos pressupostos estabelecidos. Dentro desse espaço, entram os trabalhos de artistas questionadores como Regina Silveira – de cuja série de obras se aproveitou a idéia de “Sombras”-, Nelson Leirner, Paulo Buennos, Vik Muniz, Oswald Goeldi, Waltércio Caldas, Miguel Rio Branco e Gustavo Rezende.
O espaço do térreo busca nas 285 obras uma reflexão sobre a relação entre a arte, a cidade e o espaço. Um dos grandes temas é a falência do projeto da modernidade brasileira a partir dos anos 50 – período em que foi produzido quase todo o acervo do MAM . “É interessante fazer essa reflexão dentro da OCA, construída por Oscar Niemeyer, e do próprio Parque do Ibirapuera, que foi um presente do governo pelo quarto centenário da cidade de São Paulo em 1954”, cita Cauê Alves no material de divulgação.
Os trabalhos do primeiro andar refletem os sentidos da arte moderna, incluindo os questionamentos internos à própria obra, em cerca de 240 trabalhos. A ligação com a proposta do andar térreo é feita por pôsteres de Almir Mavignier, que misturam a imagem de Brasília com palavras e significantes, propondo ao mesmo tempo uma discussão sobre espaço e linguagem.
Alguns artistas mereceram espaço individual dentro dessa proposta: o gravurista Arthur Luiz Piza, que criou um vocabulário comparável à escrita cuneiforme; Mira Schendel, com obras que reúnem letras, tipos e sinais gráficos; e Leonilson, com trabalhos que envolvem palavras. Já o segundo andar reúne obra de artistas pouco conhecidos do público, como Marepe, Franklin Cassaro, Pazé e João Loureiro.
• Serviço
Exposição “MAM na OCA” de terça-feira até o dia 10 de dezembro na OCA, no Parque do Ibirapuera. Entrada gratuita. Mais informações: (11) 5549-2744.