08 de julho de 2026
RH & Tendências

Melhoria contínua


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Dormiram de botina

Quais são os motivos de algumas montadoras de veículos estarem tendo prejuízos nos dias atuais? Aparentemente as razões são: mão-de-obra cara, baixa produtividade e estratégias de produtos com baixíssimas margens de lucro. Acredito que sim, mas por trás disto a principal causa dos déficits está no fato dessas empresas não levarem a sério a pratica da “melhoria contínua”, conhecida como Kaizen entre os japoneses.

Essas empresas não estão paradas, pois fazem inovações - geralmente tecnológicas. Mas não basta. Veja o exemplo da Toyota, que pratica melhoria contínua desde a última década de 50. Só para se ter uma noção, essa montadora japonesa realiza atualmente uma média de 7,8 pequenas melhorias por funcionário, por mês. Em apenas uma unidade de montagem, com 6.500 funcionários, em um ano, eles conseguem realizar por volta de 600 mil melhorias.

Quando se atinge tal estágio, dá-se a impressão que as resistências naturais, presentes em todas as áreas das organizações, desaparecem. É quase impossível um concorrente copiar e acompanhar o ritmo. Essa é a grande estratégia da Toyota. Quem não esta praticando essa ferramenta não consegue imaginar a significância disto.

A pratica do Kaizen exige paciência e persistência, pois os resultados demandam tempo para aparecer. O executivo apressadinho, que quer tudo para ontem, não consegue enxergar os benefícios dessa ferramenta. Procuram o fácil e o rápido, que geralmente são inconsistentes. E a consistência demanda tempo.

Conheço alguns empresários que dizem que praticam a melhoria contínua, mas descontinuamente. Não têm metas nem disciplinas, que são ingredientes fundamentais dessa prática da Qualidade Total. Como você fica forte nos braços? Somente através de levantamento de pesos continuamente. Descontinuamente não fica.

Cada vez mais o mercado exigirá que se faça mais com menos. A realização da melhoria contínua é a melhor alternativa, uma vez que estimula a criatividade e amplia a visão, considerando que obriga a todos os colaboradores a olharem para cima, para baixo, para trás, para frente, para os lados e para dentro. Além do mais, apresenta riscos pequenos.

Acredito que assistiremos as quedas de muitas organizações aparentemente consistentes que dormiram de botina nesse tocante. E tomo a liberdade de fazer uma afirmação categórica: fora da melhoria contínua não há salvação! Pensem nisso!

Davison de Lucas é diretor da M. Davison & Associados, consultor organizacional e palestrante.

www.mdavison.com.br