09 de julho de 2026
Nacional

Projeto ‘pai-canguru’ atrai cada vez mais adeptos

Por Daniela Tófoli | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

A cena chama a atenção. Uma fila de homens com o figurino de enfermeiros se forma na entrada da UTI neonatal. De personagens coadjuvantes, eles passarão a protagonistas. Vai começar mais uma sessão do projeto pai-canguru.

Criado para que as mães de bebês prematuros ficassem junto aos filhos enquanto eles ganham peso, passando o calor do corpo e a sensação de proteção que tinham no útero, a técnica para desenvolver os recém-nascidos tem atraído os pais para as UTIs neonatais de maternidades particulares, principalmente de manhãzinha ou no fim da tarde, quando não estão trabalhando.

Alguns, como Marcelo Souza, 36 anos, não podem abrir mão do trabalho e adaptam a rotina à nova função. Pai de Sophia e Kaio, que nasceram de 36 semanas com 2,08 quilos e 2,23 quilos, respectivamente, ele aderiu ao programa.

Quando acabou sua licença, ele negociou com seu chefe para continuar sendo um pai-canguru. “Quando as enfermeiras me disseram que eu poderia colocar os dois no colo de uma só vez, nem acreditei. É maravilhoso sentir a respiração e o calor deles. Meus filhos estão lutando pela vida, e vou ajudar ao máximo.’’

Não há dados sobre a adesão dos pais ao projeto, mas sabe-se que 6,3% dos bebês do País nascem prematuros. Isso fez o Ministério da Saúde implementar o mãe-canguru no SUS em 1999. Algumas maternidades particulares já tinham o programa antes, mas apenas há alguns anos ele começou a ser oferecido aos homens.

“Quando a gente fala que eles também podem fazer o “canguru’, boa parte dos pais aceita na hora’’, diz Maria Augusta de Freitas, superintendente da maternidade Pro Matre. “No começo eles são um pouco desajeitados, ficam com medo de machucar o recém-nascido. Mas depois pegam tanto jeito que trocam experiências. Quando algum bebê tem alta, celebram com champanhe.’’