Xangai - Começou como um rumor no anúncio do adeus de Michael Schumacher. Ganhou corpo na última semana com a divulgação de uma pesquisa que prevê a carência de ídolos. E nos últimos dias tornou-se uma espécie de esporte, paralelo ao que é disputado na pista.
Independentemente do que tenha acontecido no GP da China, no duelo entre o alemão e Fernando Alonso pela liderança da tabela, o novo entretenimento da F-1 continuará por alguns meses: discutir sobre quem ocupará o vácuo de idolatria aberto nesta temporada.
A prova de Xangai aconteceria na madrugada de hoje. O estopim para o falatório é a saída de três dos maiores nomes da F-1 nos últimos anos. Em julho, Juan Pablo Montoya trocou a McLaren pela Nascar. Em agosto, a BMW demitiu Jacques Villeneuve. E, em setembro, Schumacher anunciou sua aposentadoria.
Juntos, os três pilotos concentravam mais de um terço da torcida da F-1, segundo pesquisa conduzida pela FIA. Participaram 91 mil fãs de 180 países. Os números prévios foram divulgados na terça.
O heptacampeão foi apontado como o piloto mais popular por 28% dos torcedores. Montoya apareceu em sexto, com 5% de popularidade, seguido pelo campeão de 1997 (4%). Ou seja, 37% das pessoas que acompanham o Mundial ficarão “órfãs”. Há um agravante: quinto colocado na sondagem, com 6% dos votos, David Coulthard deve se despedir no fim de 2007.
Dos pilotos da nova geração apontados como potenciais ídolos do futuro, dois já aparecem na metade de cima da pesquisa: Kimi Raikkonen (17%) e Alonso (7%). Nico Rosberg recebeu 1% dos votos. Felipe Massa, nem isso.
“Depois do triste acidente de Senna, lembro que todos os jornais decretaram o fim da F-1, até porque o Michael ainda não existia. Não sei quem será a próxima estrela, mas precisamos de uma e rapidamente ela surgirá”, disse Flavio Briatore, chefe da Renault, em Xangai.
Para Massa, o substituto de Schumacher terá que ser alguém “muito concentrado no trabalho, profissional, motivado”. “Mas será difícil aparecer alguém tão completo como ele”, completa o brasileiro.
Mas se algo preocupa a FIA é a postura de Alonso, atual campeão. Questionado sobre o que acha de ser apenas o quarto colocado em popularidade, saiu-se com essa: “Gostei. Não quero ser popular de jeito nenhum. Só quero pilotar e vencer.”