Que brasileiro gosta de ir a botecos, ninguém pode negar: perneados à cultura nacional, eles estão espalhados por todos os cantos do País. Em um lugar como Bauru, impregnado da informalidade estudantil, então, nem se fale, são inúmeros.
Segundo estimativas do Sindicato dos Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares, a cidade conta com aproximadamente 1.200 bares, dado que permite a qualquer um afirmar, de maneira categórica, que a relação do bauruense com os botecos vai além do gostar: trata-se mesmo de amor.
Apesar de serem geralmente vistos como espaços de bebedeiras, os bares da cidade oferecem muitos atrativos “não etílicos” aos que estiverem disposto a freqüentá-los. No Amadeus, o forte mesmo é torresmo, enquanto no Renatão o que manda é o joelho de porco.
No Bar da Rosa a pedida é a pipoca gratuita em dia de jogo. Tem feijoada no Banzé, e também tem no Pé-de-Varsa, onde também rola pagode duas vezes por semana. Outro lugar onde não falta música é no Imprensa Bar, tudo acompanhado de caldos, salada de panqueca ou aquela cachacinha artesanal.
Se não há cantoria, o jeito é apelar para o jogo, mas que fique bem claro, só por diversão! Nesse caso, nada melhor do que encarar uma partida de bilhar no Bola Sete. Em alguns lugares a bebida até funciona como chamariz principal. No Macalé, por exemplo, as cervejas saem às caixas e no Mauro tem até um drinque capaz de curar ressaca.
Mesmo assim, não dá para dizer que bar seja lugar de bêbado. Quem pensa assim pode se arriscar a tentar convencer Dona Missão do mesmo. Certamente a empreitada resultará em fracasso, pois a proprietária do Di Portugal não admite que os clientes permaneçam em seu estabelecimento com intuito único de consumir álcool. “Cerveja aqui é só para acompanhar comida”, diz ela.
Independente do atrativo oferecido, bares e botecos fazem sucesso entre os bauruenses. Para Adriano Henrique dos Santos, que é boêmio e garçom (com 20 anos de profissão), a causa está relacionada ao poder aquisitivo da população da cidade.
“Aqui circula menos dinheiro que em grandes centros, como São Paulo e Rio de Janeiro. Se alguém abrir um comércio que funcione apenas como restaurante, só receberá clientes nos finais de semana, ao passo que trabalhando com bar terá fregueses todos os dias”, acredita.
A teoria de Santos (cujo apelido é Mega) é endossada por Luiz Maffei, outro “garçom boêmio”, que tem 50 anos de idade e 30 de profissão. “Boa parte da população de Bauru é composta por estudantes, que em geral vivem quebrados, sem dinheiro para gastar e, portanto, acabam apelando para os bares na hora de comer e se divertir”, reforça.