11 de julho de 2026
Regional

Alto-falantes anunciam falecimentos na região

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Em muitas cidades da região, as informações sobre falecimentos são consideradas serviços de utilidade pública. Por isso, assim como em Botucatu – que conta com carro-som -, alguns municípios têm seus mortos anunciados pela igreja ou por emissoras de rádio.

Na cidade de Iacanga, por exemplo, as mortes dos moradores eram anunciadas pelo serviço de alto-falante da Igreja Matriz. Mas, há cerca de um ano, os falecimentos passaram a ser divulgados pela rádio local, um serviço de utilidade pública.

Em Arealva, o anúncio é feito pelo alto-falante da igreja matriz de Santa Catarina de Alexandria e pela rádio local. Nesse caso, a família escolhe em qual veículo quer fazer o anúncio. Ambos os serviços são gratuitos.

Já o anúncio de funerais na cidade de Reginópolis é feito pelo alto-falante da igreja matriz de Nossa Senhora Rainha dos Anjos, que comunica o falecimento duas vezes. No primeiro comunicado são divulgados a morte e o local do velório. E na segunda vez se anuncia o horário do enterro.

Em Itapuí, a família do morto paga um preço simbólico e o anúncio é feito pelo serviço de alto-falante da igreja matriz de Santo Antônio, duas ou mais vezes, dependendo do horário da morte. Benedito Cândido Lima, responsável pela divulgação, frisa que normalmente são feitas três comunicações, às 9h, ao meio-dia e no período vespertino.

No caso de Botucatu, anunciar falecimentos pelas ruas foi uma tradição criada por Wenceslau Pinto, na década de 50. O idealizador da idéia, no entanto, foi Moacir Teixeira, na época proprietário de uma das funerárias da cidade, que pediu para ele anunciar uma morte. O impacto foi tão bom que se tornou tradição, ressalta Wenceslau Pinto Filho, o Lau, hoje responsável pelo serviço.

“Meu pai trabalhava para a fábrica de sabão Colosso e montou um carro de som para propaganda. Ele foi buscar a aparelhagem em São Paulo e teve que tirar licença no Dops (Departamento de Ordem Política e Social) e na delegacia local”, conta Lau.

O pai começou com propaganda de casas comerciais e a primeira nota de falecimento anunciada foi de um parente dele mesmo. “Quando meu pai saiu pela primeira vez, eu tinha 14 anos de idade. Eu sentava no banco traseiro com microfone e com uma pasta no colo fazendo os anúncios”, lembra Lau.

O serviço de carro de som está incluso no preço das funerárias em Botucatu, que terceirizam para Lau. Ele trabalha para as três empresas do setor e consegue atender mais de um caso por dia. “Houve dias que anunciei até nove mortes. Cada família escolhe o trajeto que devo fazer. Por exemplo, se a família mora em um bairro, percorro mais vezes. Em média trabalho uma hora em cada caso”, explica.

O gerente do Complexo Funerário Orlando Panhozzi, em Botucatu, Vital Walter, diz que 99,9% das famílias não rejeitam o carro de som. “É uma tradição e isso auxilia na comunicação da morte”, afirma.