Os 190.523 eleitores bauruenses que compareceram às urnas ontem, em 502 seções de três zonas, atenderam aos apelos institucionais e da sociedade organizada de optar por candidatos da terra na disputa à Assembléia Legislativa (AL), onde apenas 27,30% dos votos foram para candidatos de outras regiões do Estado. Entretanto, na disputa a deputado federal, 47,61% dos bauruenses votaram em candidatos de fora, distribuindo mais de 77 mil votos em candidatos à Câmara dos Deputados que dobraram com correligionários locais ou apenas apostaram na distribuição de santinhos para levar daqui a metade dos votos válidos na eleição proporcional para Brasília (DF).
O fenômeno da pulverização de votos para candidatos de fora, batizados por quase todos os postulantes daqui como “pára-quedistas”, atingiu tal proporção que dos mais de 104 mil votos válidos em Bauru a deputado federal, mais de 77 mil deles foram distribuídos entre nada menos que 666 nomes. Os candidatos a federal em Bauru eram 11, número já considerado elevado para a tão propalada campanha em torno da escolha de “nomes da terra”.
Fora isso, mais de 26 mil bauruenses não escolheram nenhum candidato a federal, sendo que acima de 13 mil deles votaram em Bauru e outro tanto anulou a opção na urna eletrônica.
A pulverização só não foi tão expressiva a deputado estadual porque Pedro Tobias (PSDB) conseguiu se reeleger – tendo a segunda maior votação em todo o Estado – levando mais de 100 mil votos de bauruenses, para um total aproximado de 119 mil votos válidos registrados. Com a votação em peso de Bauru em Tobias, os candidatos de outras localidades conseguiram algo acima de 44.900 votos, somados, por aqui, índice que ficou bem abaixo do mesmo parâmetro para deputado federal.
Mesmo assim, a escolha do bauruense para deputado estadual proporcionou que 27,30% dos votos fossem para nomes de fora, com a lista tendo 74 candidatos de outras localidades “pingando” votos nas seções locais.
A expressiva votação de Pedro Tobias pode ser demonstrada não só pelo quadro estadual, em que ficou atrás somente do deputado Campos Machado (PTB) – ambos com mais de 200 mil votos conquistados -, como também pelo resultado dos demais postulantes por Bauru a uma cadeira na AL. O petista Roque Ferreira, candidato assumidamente de perfil ideológico e cuja campanha foi bastante modesta, concentrada no meio sindical, no campo mais à esquerda do PT, com força no segmento ferroviário, foi o segundo mais votado na cidade, com 4.492 votos. Mesmo com a distância infinita em relação ao primeiro lugar em votos pela cidade, Ferreira ficou na frente até de outros nomes mais propalados, como o do vereador Faria Neto (PDT), que só obteve 4.039 votos e mesmo do ex-prefeito Nilson Costa (PPS), que mesmo tendo administrado a cidade durante seis anos só conquistou 2.020 votos aqui.
Para a disputa a deputado federal, o bauruense distribui votos para centenas de nomes, sendo que o caricato Enéas Carneiro (Prona) conseguiu 3.583 votos e o evangélico Antonio Bulhões (PMDB) conquistou 3.548, além do estilista Clodovil, que mesmo pequeno se elegeu tendo obtido 3.435 votos em Bauru, sendo 493.451 deles no total entre os paulistas.
Rodrigo Agostinho (PMDB), o vereador mais votado na última eleição, voltou a mostrar força e levou 35.294 votos de bauruenses, seguido de Dudu Ranieri (PFL) com 22.370, Tidei de Lima (PV) com 14.654 e Estela Almagro (PT) com 11.622 votos. Contudo, esses resultados não foram capazes de levar nenhum ao Congresso Nacional.
Os dois mais votados de Bauru em todo o Estado foram Pedro Tobias (PSDB), que contou com 228.242 votos para deputado estadual e Rodrigo Agostinho (PMDB) que, mesmo não tendo sido eleito a uma vaga a federal, contou com 40.642 votos dos paulistas.
Para o governo do Estado, o eleito José Serra (PSDB) também venceu em Bauru com 64,75% dos votos válidos (110.771), ficando o petista Aloizio Mercadante em segundo com 26,94% (46.087). Para o Senado, a fidelidade tucana apoiada no prestígio de Pedro Tobias garantiu Guilherme Afif (PFL) na frente com 49,64% dos votos (76.457 votos), contra 42,15% (64.922) do petista Eduardo Suplicy. Entretanto, foi o petista quem se reelegeu ao Senado por São Paulo.
Para presidente da República, novamente a presença do deputado Tobias empurrou um colega na frente do PT, com Geraldo Alckmin obtendo 57,87% dos votos bauruenses (101.805) contra 54.846 votos do presidente Lula (31,18%) por aqui. Agora, resta ao País e aos bauruenses voltar às urnas no dia 29 de outubro para o segundo turno, na eleição presidencial.