11 de julho de 2026
Política

Tobias comemora e admite erro por PSDB não ter um candidato a federal

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 6 min

O deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) está comemorando sua reeleição a uma das 94 cadeiras da Assembléia Legislativa paulista com bem mais do que os 150 mil votos que ele mesmo previu em sua campanha (na verdade, passou de 200 mil votos), contra os 124 mil que havia conquistado na última disputa. Com a expressiva votação, no topo da disputa legislativa no maior Estado da Nação, Tobias disse que o resultado “aumenta sua responsabilidade” e, de outro lado, mostra que o PSDB errou ao não lançar um candidato a deputado federal por Bauru. De quebra, lamenta a recusa de Caio Coube em não assumir a candidatura a federal.

Leia a seguir o que Pedro Tobias fala sobre o resultado da eleição e o que pensa sobre suas prioridades regionais para os próximos quatro anos.

Jornal da Cidade - Como o senhor recebe uma votação no topo da lista em todo o Estado para deputado?

Pedro Tobias - Eu estava trabalhando para ter mais de 150 mil votos, porque se tivesse tido menos que 124 mil votos da eleição anterior, seria uma derrota pessoal. Como o povo foi mais generoso comigo tanto em Bauru quanto na região, isso aumenta muito a minha responsabilidade. Essa votação toda eu vou dar graças a um homem chamado Geraldo Alckmin, que me ajudou muito, nunca falou não e eu fico mais feliz porque Geraldo e Serra estão tendo vitória na região e em vários lugares a proporção de votos para eles é de dois por um, e chega até a três por um em relação ao Lula. Então isso me traz felicidade dupla porque esperava a vitória de Geraldo em nossa região, porque isso é gratidão de mão-dupla do povo daqui, porque Bauru nunca teve investimento na história como teve na gestão dele nos últimos quatro anos.

JC - A sua votação tem volume para candidato a deputado federal. Você errou ao não se lançar a federal?

Tobias - Não. Eu tenho dois motivos para não ter saído a deputado federal. O maior deles é ser médico. Eu não queria largar minha profissão às segundas e sextas-feiras. É terapia para mim continuar atuando na medicina nesses dias, e ir para Brasília criaria essa dificuldade. A satisfação pessoal nessa área é muito mais do que em política. Segundo, como deputado estadual eu ajudei muito mais a região do que poderia como deputado federal. Em Brasília a emenda para deputado é só de R$ 2,5 milhões por ano e só na atuação no varejo em 2005 eu, sem contar Poupatempo, Escola Técnica, investimentos no aeroporto, consegui com o Geraldo Alckmin R$ 33 milhões. Por isso, eu no governo do Estado ajudo muito mais a região do que como federal. E o Geraldo ganhando eu vou fazer o papel de deputado federal da região, porque minha relação com ele me credencia assim.

JC - Que análise o senhor faz do resultado da eleição a federal em Bauru?

Tobias - Eu considerava que em termos de coeficiente por legenda o Tidei de Lima (PV) reunia as melhores chances, porque a legenda ajudava, precisava de menos votos para se eleger pelo PV. O Rodrigo Agostinho (PMDB) eu sabia que ia ser o mais votado em Bauru, que o Dudu Ranieri (PFL) estaria em segundo, mas a legenda deles exige muitos votos, é uma legenda pesada. No PMDB precisa de uns 140 mil votos para se eleger, o que dificulta. O PFL, coligado com o PSDB, também precisava de uns 120 mil votos. É difícil. Por isso, as chances proporcionais estavam melhores com o Tidei.

JC - O PSDB errou ao não lançar federal?

Tobias - Nós erramos ao não ter candidato a deputado federal em Bauru junto com o PSDB. Eu trabalhei até a última hora para o Caio Coube sair, mas ele não saiu. Tivemos chapa completa, menos a federal por Bauru e a votação daqui mostra que o partido foi muito bem em todos os cargos.

JC - Os números dessa eleição vão influenciar na disputa municipal em 2008?

Tobias - Sem dúvida nenhuma. A influência é muito grande e tem a eleição de José Serra no Estado, que pode ajudar muito a cidade. Se é do mesmo partido tem muita influência. Nós do PSDB somos um grupo, não falou o Pedro. Não fiz nenhum material sem o Geraldo, sem o Serra. Eu acho que é preciso que os políticos aprendam a falar em nome do grupo.

JC - Ao votar, você mencionou que fez 34 dobradas. Como você viu isso?

Tobias - Em 1998 ninguém quis dobrar comigo e agora apareceram vários querendo imprimir santinho como candidato a federal junto comigo a estadual. Eu ajudei esse povo na minha região, sem dúvida. Tem gente que me ajudou em algumas cidades, mas na região o único que me ajudou foi o Mendes Tame, que tem conhecidos em usina na Barra Bonita e abriu caminho pra mim lá. Mas o restante, fui eu quem ajudou eles, porque eu sou deputado regional, distrital. Eles que fizeram santinho me colocando junto.

JC - Sua relação política com o Serra será tão próxima como foi com o Alckmin?

Tobias - Acho que o futuro vai mostrar isso, porque relação política se constrói. Eu construí com o Geraldo uma relação de amizade pessoal, além da política. Eu frenqüento a casa dele. Eu convivi seis anos com ele e nos últimos quatro anos construí uma relação pessoal, próxima. Eu vou tentar construir essa relação aos poucos, no dia-a-dia. E tem mais, o prestígio de político está no voto e o Serra, companheiro, não é doido, é político e vai saber construir essa relação com quem representa a região e Bauru pela votação que teve. Eu nunca pedi favor pessoal, cargo, sempre pedi pela região e vou continuar pedindo para o Serra.

JC - Quais as prioridades para o próximo mandato?

Tobias - Terminar o Hospital do Centrinho em Bauru e vamos trabalhar para ajudar a prefeitura a completar o tratamento de esgoto. A avenida Nações Unidas Norte também, que estava com autorização e não vai sair neste ano por problemas de caixa. Vamos brigar por essa obra. Vamos atuar em obras mais de varejo, mas importantes, como cobertura de escolas, programas de saúde, investimento nos hospitais, é natural. E tenho de continuar trabalhando na região. Imagina, em Agudos eu vou chegar a mais de 12 mil votos, em Barueri terei uns 8 mil votos e é uma responsabilidade representar essas cidades e vou fazer isso, como nas demais, em Pederneiras tem 6 mil votos, assim por diante. São todas cidades da região.