11 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Carta Aberta à Reverendíssima Madre Elvira Milani - Magnífica Reitora da USC


| Tempo de leitura: 4 min

Reverendíssima Madre Elvira Milani.

Sou professor universitário na cidade de Brasília e formado nos cursos de graduação em Música e Instrumento desta universidade.

Atuo na área de Educação Musical, muitos de meus ex-alunos foram aprovados em importantes universidades brasileiras, alguns deles preparei com sucesso para entrarem nos cursos de doutorado da Unicamp, Ufscar, etc. Atuo também no campo da performance musical e ano que vem terei um cd com minhas composições lançado por uma respeitada gravadora norte-americana, a Jazz Station Records (JSR/USA). Deixo de lado as devidas apresentações, pois já conheço o valioso trabalho que a Reverendíssima Madre vem fazendo em prol de nossa tão amada universidade.

Com toda o carinho e respeito que tenho por esta instituição de ensino, não deixo de acompanhar a vida acadêmica, assim como os projetos de extenção da USC. E foi com imenso pesar que soube da extinção da Orquestra de Câmara da Universidade do Sagrado Coração.

As orquestras dentro de uma universidade, além de possuirem um papel acadêmico de extrema valia nos cursos de Música, se bem conduzidas podem estabelecer novas fronteiras e divisas para a instituição. Digo bem conduzidas no campo burocrático das questões administrativas que fogem das esferas artística e musical.

No campo musical esta orquestra sempre foi extremamente bem dirigida por um experiente profissional, apaixonado por esta arte. Um verdadeiro “gentleman” de atitudes artísticas competentes e por vezes até heróicas. Sabe-se que este competente regente o duplamente doutor, o maestro Marcos Virmond (já que está em vias de terminar seu 2º doutorado, agora pela Unicamp) muitas vezes tirou do seu próprio bolso o pagamento de músicos que viriam incrementar a orquestra. Esta atitude é uma amostra de seu alto profissionalismo e respeito pela orquestra, valorizando sempre a Universidade do Sagrado Coração.

Sabe-se que uma orquestra de câmara e uma big band são de extrema valia para a comunidade acadêmica podendo (repito), se bem administradas, trazerem respeito, confiabilidade, além de aumentar as fronteiras e divisas para a instituição. Isso claro, graças à boa vontade dos artistas envolvidos que muitas vezes trabalham por baixos salários em nome da paixão por suas artes, mas administradores incompetentes não conseguem retornar em forma de marketing ou mesmo fazê-las rentáveis. Trabalham muitas em vezes em proveito próprio como muitas vezes vi, quando fui músico de uma das orquestras da USC.

Com tal extinção perde a Universidade do Sagrado Coração, perdem os músicos, perdem o regentes, perdem a comunidade seja ela acadêmica ou não, mas principalmente perde o Brasil.

E tal extinção acaba por trazer um ilusório corte de custos, mas traz no seu âmago a semente da quebra de credibilidade acadêmica pelo país afora. Uma vez que tal ação repercute negativamente por muito tempo em toda comunidade acadêmica.

Em um país tão carente de cultura, se vive de ações isoladas de músicos como os da USC e maestros como o valoroso profissional dr. Marcos Virmond. Lamento tal política e que a USC num futuro próximo possa cumprir seu real papel de universidade comunitária, como suas inúmeras campanhas de marketing vislumbram, mas infelizmente acabam por não convencer a comunidade!

Fica aqui este protesto isolado, no entanto fica também a certeza que se bem conduzida nas questões administrativas uma orquestra pode ser rentável para uma universidade. Preocupo-me, pois tenho certeza que a Reverendíssima Madre está muito mal assessorada.

Desejo apenas em benefício da própria universidade que se consiga aproveitar o dr. Marcos Virmond como professor (ou talvez quem sabe coordenador) nos cursos superiores de música da USC, uma vez que tais cursos pelo direcionamento de sua coordenação desatualizada (coordenador quase-mestre, depois quase-doutor?!?!?! Muito estranho para uma universidade do porte e importância da USC) nunca teve vocação para pesquisa acadêmica, nem tão pouco desenvolveu conteúdo mínimo para o desempenho profissional de seus alunos.

Por mais duras que as palavras possam soar, foi meu primeiro emprego e vivi tal realidade, já que minha formação musical advém de cursos que sempre fiz em outras instituições com renomados professores, muitos deles internacionalmente reconhecidos.

Deixo como últimas palavras que se aproveite e valorize profissionais como os professores dr. Marcos, professor Irandi e professora dra. Rosa, pois em breve estarão numa universidade pública pelo país e a nossa USC fica com o mesmo nome de sempre.

Eduardo Toledo - RG 19669116-3