10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

É muito dinheiro para um país tão pobre


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É péssimo saber que algumas coisas na vida não mudam nunca. O alto investimento em campanhas eleitorais é uma delas - é como um jogo, quem não tem dinheiro, está fora do esquema. Tem certas coisas que não mudam nunca. Uma delas é o dinheiro usado em campanhas eleitorais. É fato: quem não tem alto capital para gastar, não ganha eleição. Não foi à toa que certa vez um candidato norte americano disse que “o dinheiro é o leite materno da política”. Ele alimenta e nutre as candidaturas. Azar de quem é órfão.

Em Bauru, onde resido, nos últimos dias de campanha o candidato a deputado estadual Pedro Tobias, do PSDB, espalhou cabos eleitorais e “peruas” por várias das principais ruas e avenidas da cidade. Obviamente outros candidatos fizeram o mesmo. Entretanto, fiquei espantado com o grande número de bandeiras e cabos trabalhando para o candidato tucano. Imagine o quanto não foi gasto com bandeiras, camisetas e adesivos, isso sem contar panfletos, propagandas etc. Agora imagine o quanto desse dinheiro poderia beneficiar alguma entidade ou algum projeto. Claro, utopia.

Procurei saber quanto o candidato havia gasto com sua campanha, mas nada foi encontrado. Tanto no site do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) quanto no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) não há dados relativos ao assunto. No site oficial do partido, também nada consta. Não contente, tentei o site Transparência Brasil, que disponibiliza diversos dados sobre candidatos, mas Pedro Tobias não está cadastrado. A tal transparência nestas eleições parece um tanto quanto nebulosa.

Já em relação aos presidenciáveis, a coisa é mais acessível e os gastos são estrondosos. O presidente Lula, por exemplo, gastou, no mês de agosto, segundo dados da Folha on line, o total de R$ 19.954.163,80. Já o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin consumiu ainda mais: R$ 20.218.852,77. Por fim, a candidata do PSOL, Heloísa Helena, apresentou um gasto no valor de R$ 60.319,15. E quem você acha que vai levar as eleições?

Duro é não desconfiar que uma parcela desta alta quantia venha de caixa dois. A coisa não vai mudar, teremos sempre altos gastos com campanhas eleitorais e como bem disse o empresário PC Farias, na época tesoureiro da campanha de Collor: “Se alguém queria me agradar com dinheiro, eu não tinha como recusar”. E assim caminha a humanidade.

Gabriel Ruiz - RG 32.624.071-8