11 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Dia 29 de setembro - Dia Latino-americano de luta pela descriminalização do aborto


| Tempo de leitura: 3 min

Há muito, nós, mulheres, lutamos para ter o direito de decidir sobre nosso próprio corpo. O sistema capitalista impôs tabus às mulheres que hoje são pesos na consciência da maioria. Não devemos nos culpar pelo que o Estado condicionou à nós mulheres (objeto de reprodução sexual), aquela que tem que ser mãe, a que gera, a que tem que cuidar e se anular para criar mais um homem ou mulher para a sociedade corromper. Não necessariamente temos que ser as que salvam e dão a vida, podemos escolher se queremos ou não e qual o momento de assumirmos essa responsabilidade. Nem toda mulher quer ser mãe e tem o direito de escolher por uma família ou sua carreira profissional.

Hoje vemos crianças de 12 á 16 anos, que nem têm seu útero biologicamente formado, sendo obrigadas a serem mães de bebês como se fossem brincar de casinha, isso é um crime dos responsáveis. O direito ao aborto deve ser discutido de forma clara e consciente e só com um esclarecimento amplo de que ele é uma última opção após um vasto trabalho de conscientização popular da saúde do corpo e da vida.

O aborto no Brasil é feito de forma clandestina, privilegiando a burguesia que pode pagar clínicas conceituadas e pagar médicos especializados sem correr rico de vida, enquanto nós temos que nos sujeitar a clínicas que lucram horrores e não dão a mínima garantia de vida a você ou podendo pegar uma infecção generalizada, principalmente por ser pobre e menos esclarecida. O que nos separa é o viés de classe: a mulher burguesa pode pagar um médico particular, fazer um tratamento médico especializado enquanto nós trabalhadoras, ficamos nas filas do INSS.

Por isso defendo políticas de saúde pública com atendimento digno e integral às necessidades da mulher em toda sua vida e não apenas quando está grávida, uma orientação sexual básica para que as mulheres tenham a liberdade de escolha e condições mínimas de realizar um parto normal ou cezariana, acesso a contraceptivos gratuitos, a pílula do dia seguinte para decidir sobre seu próprio corpo e para que o aborto seja a última opção. Que a mulher possa optar pela maternidade, pelo direito de ter filhos com saúde pública de boa qualidade. Pelo fim da esterilização forçada e induzida ou sob coação por interferências governamentais, pela descriminalização e legalização do aborto, acompanhamento psicológico e social a todas as mulheres que optarem pela interrupção voluntária e involuntária da gravidez.

Digo isso porque sei que são essas mulheres trabalhadoras, feministas que combatem a opressão e discriminação, que estão nas reformas que o governo vem implementando como a trabalhista que pode acabar com a licença-maternidade, a sindical que tira autonomia do direito dos trabalhadores, a previdenciária que aumenta ainda mais o tempo de serviço e contribuição, etc...

Nós lutamos por um mundo justo e igualitário, lute você também, lute contra a opressão, lute contra discriminação, lute pelo direito de decidir sobre sua vida, sobre seu corpo! Viva a luta das mulheres!

Eliane de Sousa Koti - RG 17 116.966-9