11 de julho de 2026
Internacional

Americanos ganham Nobel por descobrir como ‘silenciar’ genes

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Washington - Os vencedores do Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 2006 são dois americanos que descobriram um mecanismo fundamental para a compreensão de como os genes são ligados e desligados nas células. Andrew Fire, 47 anos, e Craig Mello, 45 anos, trabalhavam juntos no Instituto Carnegie, de Washington, quando publicaram em 1998 o estudo que lhes rendeu a premiação, ontem.

O tempo entre a descoberta e a premiação foi um dos menores já registrados na história do Nobel. Fire e Mello descobriram que moléculas de RNA (uma espécie de auxiliar do DNA) pode “silenciar” genes e impedi-los de produzir proteínas, as moléculas responsáveis por colocar o organismo em funcionamento.

O mecanismo descrito pelos cientistas, batizado como RNA de interferência (RNAi), é hoje uma ferramenta de pesquisa fundamental para geneticistas e deve em breve se tornar uma aplicação médica.

Como o processo descoberto por Mello e Fire é capaz de bloquear a produção de certas proteínas, ele acabou se tornando a ferramenta ideal para investigar o papel delas no organismo. Ao injetar o RNAi em animais de laboratório ou células em cultura, basta ver as conseqüências para descobrir a falta que o gene-alvo faz.

O efeito pode ser aproveitado também para desativar genes que exercem atividade indesejada em certas situações, como em células de câncer que insistem em se proliferar. Ainda não existe nenhum tratamento disponível baseado em RNAi, mas já há um teste clínico em andamento para tratar degeneração macular, um problema médico que leva a cegueira. Doenças infecciosas, como a aids, também estão na mira dos cientistas.

Os dois vencedores do prêmio deste ano foram tirados da cama ontem de madrugada por telefonemas do Instituto Karolinska, da Suécia, a fundação que administra o Nobel. Mello recebeu a ligação quando estava dormindo. “Minha mulher disse: ‘É um trote, não atenda’” contou o cientista em entrevista.

A dupla de pesquisadores vai dividir agora em partes iguais o prêmio de 10 milhões de coroas suecas (R$ 2,9 milhões). Mello já disse que pretende doar parte do dinheiro a instituições de caridade, mas Fire afirma não ter ainda a “menor idéia” de o que fazer com o dinheiro.