09 de julho de 2026
Internacional

Sul-coreano recebe aval para substituir Kofi Annan na ONU

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Nova York - O chanceler sul-coreano, Ban Ki-Moon, 62 anos, recebeu ontem o aval dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para tornar-se o próximo secretário-geral do organismo, em substituição ao ganense Kofi Annan, que deixa o posto em 31 de dezembro.

A votação formal pelo CS será no próximo dia 9. Em seguida, a recomendação deve ser referendada pela Assembléia Geral. Caso seja confirmado, o que é dado como certo, Ban será o oitavo secretário-geral em 60 anos de ONU. “É bastante claro após a votação de hoje que o ministro Ban Ki-Moon é o candidato que o Conselho de Segurança irá recomendar”, disse o embaixador da China na ONU, Wang Guangya.

Ban foi o único dos seis candidatos ao posto que não foi vetado por um dos cinco membros permanentes do CS- EUA, Reino Unido, França, China e Rússia - na votação informal de ontem, a quarta desde julho. Ele obteve 14 votos positivos e uma abstenção dentre os 15 membros (cinco permanentes e dez rotativos).

Após a divulgação dos resultados, o indiano Tharoor anunciou que abandonaria a disputa. O embaixador dos EUA na ONU, John Bolton, disse ter “muito respeito” por Ban.

Diplomata de carreira, o sul-coreano é visto como uma pessoa amável e que raramente entra em disputas verbais. Como chanceler, lidou com temas espinhosos como o impasse nuclear com a Coréia do Norte. “Às vezes posso ser visto como uma liderança fraca. Mas tenho força interior. Isso é algo que normalmente pessoas do exterior têm dificuldade em ver”, disse Ban recentemente.

O sistema de votação para a escolha do secretário-geral da ONU começa com o envio das indicações dos países-membros ao CS, que depois simula votações para saber a preferência de seus integrantes. Cada país diz se “encoraja”, “desencoraja” ou expressa “nenhuma opinião” sobre o candidato. O sistema vale como alerta para que candidatos preteridos abram mão da disputa e não passem pelo constrangimento de ser vetado.

Após as votações simuladas, o CS inicia o processo de escolha. Caso tenha veto de um dos membros permanentes, o candidato é eliminado. O vencedor precisa de ao menos nove votos positivos e nenhum veto. Escolhido o candidato de consenso, o nome é eleito por aclamação dos 192 países da Assembléia Geral. Não existe debate ou campanha eleitoral.

Os candidatos não são sabatinados. Essa restrição da escolha do secretário-geral ao CS é criticada pelo Movimento dos Não-Alinhados e pela Assembléia Geral, que reivindicam papel mais ativo.

A sucessão na ONU não tem regras eleitorais claras, e todo o processo é consuetudinário, baseado no costume, no acordo diplomático e nas decisões dos membros permanentes do CS.

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O favorito

BAN KI-MOON

País: Coréia do Sul

Idade: 62 anos

Cargo: ministro das Relações Exteriores

Formação: mestre em administração pública pela Universidade Harvard, bacharel em relações internacionais pela Universidade Nacional de Seul

Cargos anteriores: assessor da Presidência da Coréia do Sul para Assuntos Internacionais (2003-2004), embaixador na ONU (2001), vice-ministro das Relações Exteriores (2000-2001), presidente da comissão do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares (1999)

Demais candidatos

• Shashi Tharoor, subsecretário da ONU para Comunicações e Informação Pública, da Índia

• Surakiart Sathirathai, vice-chanceler da Tailândia

• Vaira Vike-Freiberga, presidente da Letônia

• Príncipe Zeid al Hussein, embaixador na ONU da Jordânia

• Ashraf Ghani, ex-ministro da Economia do Afeganistão