São Paulo - Após quase dez horas de tensão e negociações, acabou na madrugada de ontem o assalto com 35 reféns em uma fábrica de semijóias no Jardim Glória, em Limeira (150 quilômetros de SP). Os criminosos se entregaram por volta das 3h. Antes, exigiram que uma emissora de TV transmitisse ao vivo a rendição - e foram atendidos. Nove pessoas foram presas.
O soldado da Polícia Militar (PM) Wagner Modesto foi morto com um tiro no rosto. Com os bandidos, a polícia encontrou um arsenal de guerra: um fuzil, três rifles, duas escopetas, uma metralhadora 9 milímetros, quatro pistolas e dois revólveres. Os criminosos chegaram à fábrica D.Carvalho às 17h20 de anteontem. Eles vestiam uniformes iguais ao da Polícia Federal e entraram na empresa com o pretexto de apurar uma denúncia de sonegação fiscal.
Entre funcionários e clientes, havia 35 pessoas na fábrica. Todos foram rendidos pelos assaltantes e confinados na cozinha e na sala de confecção de jóias. Antes de ser feito refém, um funcionário conseguiu acionar o alarme, que toca em uma empresa de segurança. Os primeiros policiais se dividiram. Um grupo fez uma barreira na frente da empresa e o restante entrou pelos fundos.
O soldado Modesto percorreu um corredor na parte de trás da fábrica e deu de cara com alguns dos criminosos, que estavam sobre uma escadaria. Foi atingido com um tiro de escopeta calibre 12 no rosto e morreu no local. Em seguida, houve uma breve troca de tiros, sem feridos. Delegados e unidades de elite da polícia foram ao local e começaram a negociação. Uma mulher grávida foi libertada. Depois, outros oito reféns foram soltos, um de cada vez.
Em troca, os ladrões exigiram cigarros e refrigerantes. Os ladrões exigiram a presença de dois advogados e o fim do sobrevôo do helicóptero da PM. Foram atendidos. Por último, pediram que uma TV exibisse ao vivo a rendição - uma emissora da região cumpriu essa exigência. Os bandidos se entregaram - três deles usavam coletes à prova de balas - e muitos reféns saíram chorando.
Dos nove presos, seis eram procurados pela Justiça e um - André Luiz Xavier, o Caveirinha, apontado como líder da quadrilha) - estava foragido de uma prisão de Americana (128 quilômetros de SP). A reportagem não conseguiu falar com os advogados dos acusados.