09 de julho de 2026
Auto Mercado

Dr. Automóvel: Verdades e mentiras sobre os 16V

Consultor: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 4 min

Perguntam-me freqüentemente se vale a pena escolher uma versão de motor com 16 válvulas na hora da compra do carro novo. Já falamos anteriormente sobre os diversos tipos de motores, suas características construtivas e desempenho final, mas quando se fala em motor 16 válvulas (ou 16V) quer-se referir na verdade a um motor de quatro cilindros com quatro válvulas por cilindro, sendo duas de admissão e duas de exaustão ou escape.

Por exemplo, um mito é de que este motor é chocho na arrancada. Não é bem assim, mas quase, se mal usado. Os motores multiválvulas (designação mais correta) usam uma configuração de dois eixos comando no cabeçote e têm por característica um maior torque (força) em altas rotações, sendo portanto mais indicados para estradas e altas rotações, enquanto que os motores de duas válvulas por cilindro oferecem um bom torque a rotações mais baixas. Isto significa apenas que se deve dirigir de forma diferente, pois cada motor tem características distintas.

O fato de serem indicados apenas para estradas é outro mito. Os 16V são melhores em estradas, pois é um ambiente onde são exigidas maiores rotações no motor, o que exige melhor alimentação e lavagem do cilindro. Por existirem duas válvulas de admissão e duas de escape, em vez de uma de cada, o volume de ar admitido e o retirado de escape é maior e se movimenta a velocidades maiores.

Mas isto não os faz ruins em cidades. Os motores 8V convencionais seriam tão bons quanto os 16V na cidade, com a ligeira vantagem de oferecerem o torque máximo a rotações mais baixas. O ganho de eficiência dos 16V traduz-se em maior potência e torque com a mesma cilindrada, e praticamente o mesmo consumo, o que é uma boa vantagem.

Mas tem o mito de serem mais dispendiosos em manutenção. Isto é uma verdade. Por serem tecnologicamente mais desenvolvidos e terem mais componentes móveis, afinal são dois eixos comandando um jogo de 16 válvulas, balancins, molas, pratos, grampos, o dobro de peças de um motor convencional; em caso de manutenção, o custo será bem superior também. Pela forma construtiva do cabeçote e dos pistões, os 16V são mais suscetíveis a quebras feias se não tiverem manutenção adequada.

Devido ao espaço físico dentro da câmara de combustão para abrigar as quatro válvulas, esta tem que ser mais larga, ficando com menor altura em relação ao cabeçote e ao pistão, que necessita de rebaixos para evitar que as válvulas não interfiram com o seu movimento oscilatório. Quando se rompe a correia dentada de acionamento dos comandos, as válvulas podem atropelar a cabeça do pistão por alguns instantes, ocasionando a quebra de ambos e detonando com a parte superior do motor.

A opção de 16V é muito usada para se conseguir ganhos sensíveis de potência e torque com baixo consumo. A tecnologia se desenvolveu muito e hoje são motores bastante duráveis e confiáveis. Novamente o problema somos nós, que não temos o devido cuidado de manutenção preventiva, além de algumas pessoas acharem que todos os carros devem ser dirigidos da mesma forma. Com a devida adaptação de sua maneira de dirigir em relação às características de cada motor, não tem do que se queixar.

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CORREIO TÉCNICO

Tenho um Fiesta flex e sempre nos primeiros minutos de funcionamento do motor o carro apresenta falhas na aceleração. Isso é normal? Se não, quais os possíveis problemas? Plínio da Silva, Botucatu

Normal não é, pois em motores injetados não deveria ocorrer esta falha. Estes “buracos” nas aceleração são típicos de falta de alimentação e deveria ser corrigido pelo sensor de oxigênio e pela programação da centralina. Não é por que é flex que pode acontecer isso. Deve ser uma falha deste carro em particular. Recomendo passar pelo scanner na concessionária e verificar o que ocorre. Mas sempre pode ser combustível adulterado ou álcool com muita água, que pode não vir do posto mas do próprio tanque de combustível, em função da condensação. Este problema fica mais sensível com o motor frio.

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Sugestões para a coluna e perguntas à seção Correio Técnico devem ser enviadas ao e-mail automerc@jcnet.com.br ou à redação do Jornal da Cidade, na rua Xingu, 4-44, Higienópolis. É obrigatório informar nome completo, RG, endereço e contato (telefone ou e-mail).

* Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em administração industrial e marketing e engenharia aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e assina uma coluna na revista Quatro Rodas Nitro. Seu site é www.marcoscamerini.com.br.