Incentivar grupos de amigos para, antes de sair para bares, festas ou restaurantes, escolherem quem não vai beber para levar todos para casa com segurança. Este é o objetivo do movimento “Piloto da Vez”, deflagrado em todo o Brasil por um “pool” de empresas, como a Volkswagen, e órgãos de trânsito.
Para tornar o movimento conhecido no País, diversas marcas foram convidadas a entrar no “Piloto da Vez” com uma única finalidade: distribuir materiais que explicam e divulgam o conceito para o consumidor adulto. Folhetos sobre direção segura e adesivos com a frase “Aqui tem um Piloto da Vez" vão ser distribuídos pelos parceiros do movimento.
Já os órgãos de trânsito se responsabilizarão por espalhar faixas e banners em pontos estratégicos com os dizeres “Assuma a liderança. Se beber, não dirija”. “A intenção é levar o conceito para as ruas e propor uma reflexão sobre a atitude de consumo de bebidas alcoólicas”, ressalta Eduardo Bendzius, diretor de marketing de uma das empresas envolvidas no projeto.
Apesar de ser um comportamento comum em países europeus e nos Estados Unidos, eleger alguém que não beba para servir de motorista a fim de dar liberdade para outros tomarem “umas a mais” é hábito raro no Brasil. Mas nem por isso deixa de ocorrer, como no caso do auxiliar de produção bauruense Antonio Henrique Maurício.
Antiálcool convicto, Henrique, como é mais conhecido pelos amigos, já está acostumado a exercer o papel de “piloto” oficial da turma de companheiros com quem costuma sair. “Faço isso faz muito tempo, pois sou o mais consciente do pessoal”, brinca. “Nunca bebi e não tenho esse hábito. Os amigos já estão acostumados a me levar e eu fico como um padrinho deles olhando”, comenta.
Para Henrique, os “habituês” das “baladas” deveriam, por questão de conscientização, atentar-se aos objetivos do movimento. “Já passei por diversas situações em que as pessoas não tinham a mínima condição de dirigir e ficavam insistindo demais para querer guiar alegando que o carro era delas. Nesses casos, não deixava de jeito nenhum, pois nesse estado as pessoas, mesmo não estando em plena consciência e com os reflexos abalados, acham que estão bem e são donas da situação. Já cheguei a tomar a chave de muitos donos de carros para não deixar dirigir”, enfatiza o auxiliar de produção.
Outro bauruense que freqüentemente transforma-se no “piloto da vez” é o universitário Pedro Ticianelli. Avesso a bebidas alcóolicas, o estudante considera que tão importante quanto escolher alguém que naturalmente não bebe é conscientizar quem aprecia os drinques da importância de aderir aos ideais do movimento. “No meu caso é fácil para meus amigos escolherem porque não sou de tomar, mas quando todos bebem é imprescindível que, antes da balada, seja combinado quem não vai beber para depois levar os outros embora”, frisa Ticianelli, que não reclama da “profissão” de “piloto da vez”:
“Já faz tempo que faço e desde que tirei carta sou o piloto oficial da turma. Mas faço isso na boa e não ligo de voltar dirigindo. Gosto de guiar e acho importante garantir a segurança dos meus amigos.”
• Serviço
Mais informações sobre o movimento podem ser obtidas no site www.pilotodavez.com.br.
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Você sabia que...
• No Rio de Janeiro, um bar oferece a seus clientes um serviço de transporte para levá-los embora após beberem no estabelecimento?
• Uma pesquisa feita com americanos maiores de 21 anos apontou que 72% dos entrevistados declararam já ter sido o Piloto da Vez ou já terem sido levados para casa por um deles?