Cerca de 40 clínicas veterinárias de Bauru demonstraram interesse em ajudar a administração municipal a cadastrar cães e gatos da cidade. Até o final deste mês, os estabelecimentos receberão coleiras e plaquetas para identificação do animal e de seu proprietário. E são os donos que, na data de hoje, quando se comemora o Dia do Cão, devem festejar a medida.
“Todo tipo de identificação é importante”, afirma Marlene Zorzi, proprietária de Isadora (uma Daschund) e de Barte (um Weimaraner). Por duas vezes, o cão escapou de casa e custou a voltar. Da última, ele tinha tomado banho e estava sem coleira. Foi encontrado dias depois, com a ajuda da cadelinha, que o “criou”.
“Eu estava angustiada e fui dar uma volta com a Isa. Disse para ela procurar o Barte. Ela foi me levando”, relembra. Quando a Daschund parou num petshop, Marlene pediu informações sobre o Weimaraner e soube que ele havia sido encontrado. A busca poderia ser menor se ele estivesse identificado. Neste caso, a Marlene estaria livre de noites mal dormidas.
Mas a instalação de coleiras tem também o objetivo de despertar na população o conceito de posse responsável, explica a veterinária Ana Lúcia Giraldi Segalla. Ela é uma das coordenadoras da comissão de clínicas que alinhava a parceria com o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), órgão do Departamento de Saúde Coletiva.
Na opinião dela, com a iniciativa, parte da população que não tem acesso às clínicas romperá a barreira e receberá informações sobre novas vacinas, tratamentos e castração, por exemplo. “É um grande, um enorme passo que estamos dando (com a parceria), não paternalizando essa atividade”, explica Flávio Tadeu Salvador, chefe substituto do CCZ.
De cerca de 40 clínicas, 98% sinalizaram o interesse em participar, acrescenta Ana Lúcia. Os veterinários deverão assinar um termo de cooperação para receber o material.
“O CCZ não é e nem pode ser uma clínica veterinária. Aqui focamos as zooneses (doenças transmitidas de animais para homens e vice-versa). Claro que as clínicas vão oferecer seus serviços. As pessoas só devem ter animais se tiverem condições de mantê-los”, enfatiza Salvador. De acordo com ele, o cadastramento será oferecido gratuitamente pelos estabelecimentos comerciais. “É um projeto ousado, que começa mas não termina nunca”, conclui.
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Castração
Uma outra parceria entre o poder público municipal e a iniciativa privada poderá ajudar a baratear as castrações na cidade. Mas o projeto será discutido numa segunda etapa. “Castrado, o animal não procria e o número da população cai, reduzindo os riscos de transmissão de doenças”, comenta Flávio Tadeu Salvador, chefe substituto do CCZ.
Atualmente, o município trabalha com estimativa de população animal do Instituto Pasteur, da Secretaria de Estado da Saúde, baseada em dados de campanhas de vacinação, que é de 50.954 cães e 22.293 gatos.
No entanto, o Departamento de Saúde Coletiva (DSC), órgão da Secretaria Municipal de Saúde, conclui neste mês o censo animal no município. Por meio dele, a cidade também contabilizará quantos felinos e caninos são vermifugados, castrados e o percentual que recebeu vacinas, etc.
O trabalho integra o Programa Municipal de Controle Animal que, não só identifica e registra cães e gatos, como também conscientiza para a posse responsável.