O ex-vereador Luiz Carlos Valle (PV), que disputou a eleição para deputado estadual, anunciou ontem que está desistindo da política. Segundo ele, a impugnação da candidatura por determinação do Tribunal de Contas foi um episódio desgastante, que envolveu sua família, por isso ele resolveu “se aposentar” da vida política.
De acordo com Valle, que foi vereador durante quatro mandatos, ocupando a presidência da Câmara Municipal em 1997-1998, além da impugnação o fato de sua votação para deputado não ter sido divulgada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) também o deixou chateado. Em carta ao JC, Valle agradece a votação recebida (10.103 votos) e lamentou que o caso não tenha sido julgado antes das eleições. “Estou perplexo e triste porque a integridade e a honra sempre tiveram um valor extraordinário para mim”, disse.
Valle teve o registro indeferido por causa de um relatório do Tribunal de Contas, que apontava restrições nas contas da Câmara em 1999, quando o candidato era presidente. De acordo com ele, a restrição apontada pelo TCE foi por conta de uma lei que obrigava o pagamento de gratificação aos secretários da Mesa Diretora. As contas foram aprovadas em 2000, com recomendação para que o presidente da Casa notificasse os vereadores que ocupavam os cargos na época. A notificação, no entanto, só foi feita no ano passado.
Antes disso, em 2004 o Tribunal de Contas fez novo julgamento e rejeitou as contas de Valle.Como o atual presidente já havia notificado os vereadores, o processo foi arquivado, mas o TRE utilizou essa rejeição como parâmetro para indeferir a candidatura, mesmo depois de ter concedido o registro ao ex-vereador, que conseguiu liminar na Justiça para se manter candidato e entrou com recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que ainda não julgou o recurso.
“Os presidentes que me sucederam é que deveriam ter notificado os secretários, uma vez que já fazia dois anos que eu havia deixado a presidência e não detinha o poder para tomar tal medida. Diante do impasse e da negativa da Câmara em notificar os secretários, o Tribunal de Contas se reuniu ano passado após modificar a decisão anterior de 2000, e tornou as contas irregulares sem que ao menos me informassem a respeito. Ou seja, medidas administrativas que deixaram de ser tomadas por presidentes que me sucederam, trouxeram sobre mim uma inelegibilidade que eu desconhecia, tanto que em 2004 fui candidato a prefeito”, explicou
Para o ex-vereador, todo esse sacrifício não vale a pena, já que não é apenas ele o atingido pelos fatos, mas também sua família. “Estou apenas aguardando a decisão final do TSE, mas devo dizer que minha disposição é de nunca mais me candidatar a nenhum cargo político, pois a honra e o bom nome são valores inalienáveis e inegociáveis para mim”, frisou.