08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Repensando o Sivam


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Ficamos chocados e até comovidos pela dor dos familiares das vítimas e tripulantes do jato comercial que se chocou no ar com um jatinho executivo, na região amazônica; e aí se pergunta: como podemos aceitar, em pleno século XXI, duas aeronaves voando em rota de colisão? Não vamos aqui entrar em detalhamento técnico das unidades eletrônicas de comunicação e navegação a bordo das aeronaves, tais como transponder, módulo “charlie” ou “alpha”, pois ambas aeronaves são, ou eram, de última geração...

O que é difícil aceitar é que foi comprado um sistema fechado de radares importados, o Sivam (Sistema Integrado de Vigilância da Amazônia), desrespeitando uma concorrência de empresas nacionais especializadas na área, que foram dispensadas sem explicações. O próprio Ministério da Aeronáutica publicou uma série de documentos entre 1993 e 1995 que concluía que o sistema de proteção ao vôo, baseado em radares, estaria obsoleto, devido ao desenvolvimento dos satélites de última geração tecnológica.

Na época, o Senado aprovou 5 contratos que somavam US$ 1.771.527.038,00, e não US$ 1,4 bilhão, como se falou. No contrato ficava claro que o software de controle seria desenvolvido pela empresa americana e os direitos autorais bem como a chave para penetrar no sistema ficaria com uma empresa ligada ao governo dos Estados Unidos. Uma interessante opinião sobre o Sivam vem de um renomado físico e engenheiro eletrônico, professor emérito da Unicamp, dr. Rogério Cerqueira Leite, que diz o seguinte: “Podemos concluir que a escolha do roteiro pacote fechado para o Sivam e o desesperado esforço do governo federal para que a escolha desse fornecedor recaísse sobre uma empresa norte-americana, intimamente associada ao Pentágono, deve-se principalmente a uma irresistível atração gravitacional para tornar o Brasil um satélite da nação hegemônica. O Sivam é assim, um símbolo concreto de “servidão voluntária”, escolhida pela administração Fernando Henrique Cardoso, que entrega a segurança da Amazônia e o conhecimento sobre suas riquezas naturais aos Estados Unidos, e, com isso, abdica de parte significativa da soberania nacional. Assim, suavemente se dá um passo para a desnacionalização da Amazônia."

Ficam ainda algumas perguntas: por que não foi acionada a “lei do abate” e o jatinho não foi escoltado por caças militares, uma vez que estava com o transponder e o rádio VHF com desligado? E se fosse um bombardeiro inimigo ou um avião terrorista, sobrevoaria Brasília numa boa? Será que podemos sobrevoar Washington ou o Pentágono com nossas aeronaves? Certamente, ainda muito vai se falar sobre este lamentável acidente...

Ramón T. Yague - DAC/719.229