09 de julho de 2026
Pesca & Lazer

História de pescador: Boi na linha


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A maioria dos pescadores tem fama de mentirosos, mas durante uma pescaria podem acontecer “fatos” difíceis mesmo de acreditar. Vou contar um fato verídico que aconteceu em uma de minhas pescarias no rio Batalha, na cidade de Reginópolis, lá no “Poção do Garrote”, em abril de 2006, já no final da temporada, antes do inverno.

Na quarta-feira, comecei a organizar todos os detalhes da pescaria, a realizar-se no sábado: iscas, tralha em geral e alimentação. Dessa vez foram eu e minha esposa, que está ainda iniciando-se na “arte da pesca”.

Quando vou pescar, gosto de chegar ao local bem cedinho, ainda de madrugada e com todo o equipamento já pronto. Detesto perder tempo fazendo chicotes (girador, chumbada e dois anzóis) a serem utilizados nas varas com molinete, que deixo de espera para pescar as grandes piaparas. Sempre levo, uma média, de 30 a 40 chicotes já prontos.

Neste dia fomos pescar, além das piaparas, tambiús. Deixamos quatro varas com molinetes e sininhos de alarme em cada uma delas, num local que serve de bebedouro para os bois que ficam pastando nos arredores do rio; enquanto isso, fomos descendo o rio, pescando nos outros locais mais próprios para os lambaris. E como é ótimo fisgá-los: cada tambiu de aproximadamente 14 centímetros e é um atrás do outro.

Onde tinha o poço com árvores (engazeiros), que dificultavam os arremessos, eu dava a famosa “estilingadinha”, mirando a ponta da vara no poço e puxando a chumbadinha com o macarrão no anzol próximo ao corpo e soltando de uma vez. Ao fazer o som da isca caindo na água, os tambius saltavam para pegá-la.

Já eram quase 11h, quando escutamos um dos sininhos fazendo o maior barulho. Corri para o local pensando se tratar de uma das grandes piaparas, quando, surpreso, vi um garrote grande enroscado na linhada. Nisso, ao me ver, ele saiu correndo para o pasto, enroscado pelo chifre no chicote da linha. Houve tempo de pegar o molinete e soltar a frição. Ai começou uma briga entre eu e o bichão: ele puxava e eu dava linha, ele cansava e eu enrolava o molinete, trazendo-o mais próximo de mim. Após aproximadamente uns 40 minutos, o garrotão cansou. Foi só me aproximar dele e retirar meu chicote com os dois anzóis mais o girador e a chumbada de seus chifres.

Depois de tudo isso, fomos almoçar embaixo de uma frondosa árvore próxima à curva do rio e, após aquele maravilhoso almoço, voltamos à pescaria, e, até o final da tarde, pegamos cerca de uns 120 tambius, 11 piaparas e nove piavas, além do garrotão que soltei para engordar, pois ainda estava fora da medida.

Marcos Aparecido Guerrero é pescador e contador de histórias.