Tapas, murros, chutes e voadoras teriam sido abusos praticados por coordenadores da unidade de Bauru da Febem (conhecidos como “homens de preto”), testemunhados pelas funcionárias que levaram o caso ao Condepe e registraram as acusações na subsede de Bauru da OAB. Por discordarem do que chamam de “filosofia da porrada”, elas garantem que sofreram represálias do diretor Antonio Alfredo Costela Parras.
“Na gestão dele, a violência aumentou. Ele tem uma postura totalmente agressiva com os meninos. As pessoas não falam por medo. Avisamos (os órgãos internos da Febem). Eles diziam que iam tomar providências”, conta uma delas. A conseqüência veio em forma de demissões e transferências, afirmam.
“Ele é ex-corregedor. Não conseguíamos mais (nos calar). Minha auto-estima não existe mais. Eu que tenho formação, estou doente (com depressão), mas pedindo socorro. Eles (os adolescentes)?”, questiona uma das denunciantes.
Demissões
Das funcionárias que denunciaram maus tratos na unidade da Febem, uma delas teria sido demitida por justa causa por ter insuflado a agressividade dentro da unidade. Ela nega.
A reportagem ainda apurou que outra perdeu o emprego por faltar de modo injustificado, mas ela alega ter se ausentado do local de trabalho por participar de greve. Uma outra teria sido desligada por “movimentar” a unidade de Bauru por meio de carta entre internos.
Todas foram investigadas pela corregedoria. Elas contrataram advogado e tentam reverter a situação na Justiça do Trabalho. Apesar das acusações, elas querem retornar à atividade porque precisam do emprego para sobreviver, afirmam.