11 de julho de 2026
Esportes

Automobilismo: De olho no título, Schumacher defende liderança em Suzuka

Por Fábio Seixas | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Suzuka - A nódoa está lá há 12 anos e insiste em afrontar um currículo recheado de glórias. Jamais será apagada. Mas na próxima madrugada, a partir das 2h (de Brasília), em Suzuka, poderá ser suavizada, última conquista em uma carreira com tantas. Desde 1994 rotulado de piloto que se abala em duelos decisivos e que nesses momentos apela à brutalidade, Michael Schumacher larga no Japão para tentar, pela primeira vez em sua trajetória na F-1, vencer um Mundial de virada.

Será a última chance de, assim, abrandar a mancha que o incomoda - dentro de 16 dias, o heptacampeão estará aposentado. Seria uma conquista com tons olímpicos. Por ser a última. Por dar números finais a um dos recordes mais cobiçados do esporte. Mas, principalmente, por acontecer de forma limpa apesar da forte reação que o alemão precisou empreender para alcançar o seu novo rival, Fernando Alonso.

O cenário é simples. Para encerrar o Mundial com uma prova de antecedência, Schumacher precisa vencer a corrida e esperar que o espanhol não pontue. Qualquer outro resultado leva a decisão para o GP Brasil, em Interlagos, no dia 22.

O GP do Japão, 16ª e penúltima etapa da temporada, começa às 2h de domingo (horário de Brasília), com TV. O treino oficial, que definirá o grid, acontece na madrugada de hoje. “Estou tranqüilo. A equipe está com um astral bom, concentrada no trabalho, e todos parecem muito bem”, disse ontem Schumacher.

Serenidade que talvez seja fruto dos 37 anos, da experiência, das poucas expectativas de lutar pelo Mundial alguns meses atrás. Porque nem sempre foi assim. Nas primeiras vezes em que foi chamado a duelar para conquistar o título, ele barbarizou.

Na última prova de 94, em Adelaide, Austrália, jogou o carro sobre Damon Hill, único piloto capaz de lhe tomar o campeonato. Deu certo, e levou a taça. Em 97, em Jerez de la Frontera, Espanha, repetiu o ato, mas contra Jacques Villeneuve. Deu errado, e o Mundial ficou com o canadense. Houve também um momento de vacilo. Em 98, depois de batalhar com Mika Hakkinen por 15 corridas e conquistar a pole para a etapa decisiva, em Suzuka, Schumacher deixou a Ferrari morrer no grid. Foi deslocado para último e, impotente, perdeu mais um duelo.

Seu principal “antimancha”, agora, é a forma como pode conquistar o campeonato. Há exatos cem dias, o alemão iniciava os treinos para o GP dos EUA com 25 pontos de desvantagem para Alonso, que parecia caminhar sem obstáculos para o bicampeonato. Mas foi lá que começou a ressurreição ferrarista. Em Indianápolis, Schumacher já descontou seis pontos e, desde então, não parou. Em Xangai, no último domingo, enfim alcançou o espanhol.

Ambos têm 116 pontos, mas o ferrarista leva vantagem no primeiro critério de desempate: soma uma vitória a mais. “O Michael está muito motivado. Por mais que ele tenha títulos, um a mais é sempre importante, principalmente numa categoria como a F-1. Se você for lembrar, o (Ayrton) Senna queria muito o quarto título. Cada vitória é fundamental na carreira de qualquer piloto, cada conquista tem um sabor diferente”, declarou Felipe Massa, companheiro do alemão.

Cada conquista, um sabor. E, se algo for conquistado na próxima madrugada, o gosto será inédito, mesmo para alguém que já conquistou mais do que qualquer outro. Uma proeza difícil. Mas ele é Schumacher.