08 de julho de 2026
Política

CUT quer discutir piso mínimo no País

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 3 min

No lançamento da Campanha Unificada dos Trabalhadores em Bauru, o presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique da Silva Santos, afirmou que a central pretende discutir com os empresários a criação de um piso salarial de abrangência nacional, por categoria, com valor acima do salário mínimo, para reduzir as desigualdades na estrutura de salários do país. “A idéia é garantir um piso acima do salário mínimo em todo o Brasil, e, depois, cada categoria, cada sindicato, especificamente na sua negociação, negociaria itens superiores a esse piso mínimo nacional”, explicou.

A criação desse piso mínimo teria como principal objetivo não permitir disparidades nos salários pagos nas várias regiões do país. De acordo com o presidente da CUT, na prática a categoria dos bancários já funciona assim, mas há uma estrutura dos bancos em nível nacional e a negociação é em nível nacional. “No entanto, nas demais categorias isso ainda não é possível. Metalúrgicos, jornalistas, eletricitários, químicos, em cada lugar do Brasil, às vezes no mesmo Estado, você tem um piso diferenciado”, ressaltou.

Santos afirmou que a CUT está ciente das dificuldades de implantação desse sistema de piso mínimo no país, porque há posição do empresariado de que em algumas regiões o custo de vida é menor. No entanto, Santos ressalta que essa situação só valia para quando o país tinha altos índices de inflação. “Se você olhar a situação de uma cidade ou de um Estado para outro, a diferença do custo de vida é muito menor do que existia anteriormente e, no entanto, os salários continuaram com essa defasagem”, frisou.

Contrato coletivo

Além da questão salarial, a Campanha Unificada dos Trabalhadores da CUT pretende colocar em discussão, com as entidades patronais, a formação de um contrato coletivo de trabalho, que vai abranger seis eixos considerados fundamentais pela entidade: salário, emprego, jornada de trabalho, saúde e segurança, direitos sindicais e políticas públicas. “Esses itens são de interesses dos trabalhadores, independente da categoria. A campanha nacional foi lançada e agora nós estamos fazendo o lançamento nos Estados e aqui em São Paulo, será feito em cada uma das 17 subsedes”, disse

Santos citou como exemplo a saúde e segurança do trabalhador. Segundo ele, questões que afetam essas duas áreas, mais o combate a acidentes e preparação contra a precariedade nas condições de trabalho, poderiam ser colocadas em um contrato coletivo de abrangência nacional. “Poderia ter um acordo nacional e, independente de onde o trabalhador estivesse trabalhando, na Bahia, em São Paulo ou no Rio Grande do Sul, ele tivesse os direitos dessa legislação sobre saúde e segurança. Então, é construir realmente um contrato coletivo nacionalmente articulado”, destacou.

Pós eleição

Apesar da Campanha ter sido lançada em 18 de setembro, deve ganhar força somente após o segundo turno das eleições. O presidente nacional da CUT afirmou que a intenção é começar as negociações com as confederações empresariais em novembro, depois que o processo eleitoral terminar. “Nós mandamos a pauta com os seis grandes eixos da campanha para todas as confederações empresariais, para os governos federal e estaduais e para a representação dos governos municipais. A idéia é retomar a articulação das categorias, após o processo eleitoral, forçando a negociação ara debater esses itens junto ao empresariado e aos governos, nos três níveis”, salientou.

Segundo Santos, as confederações da Indústria, do Comércio e da Agricultura já se manifestaram para agendar uma reunião em novembro com a CUT nacional e as confederações de classes. “Além de membros da executiva da CUT as comissões de negociação serão compostas por representantes das diversas confederações de trabalhadores ligadas a central, cada uma em sua área específica”, frisou.