08 de julho de 2026
Geral

Servidor tem apoio para aposentar

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Embora seja algo esperado por todos, a aposentadoria pode representar uma mudança brusca demais para algumas pessoas. De um dia para outro, acabam-se todas as obrigações profissionais exigidas dentro de uma empresa e o novo segurado passa a viver uma outra realidade. Se não existe mais pressão do ambiente de trabalho, acaba também a convivência entre os colegas.

Quando se deparam com essa nova vida, muitos aposentados mostram-se confusos e até mesmo abalados psicologicamente. Um convênio entre a Prefeitura de Bauru e a Universidade Estadual Paulista (Unesp) garante aos servidores públicos que estão prestes a se aposentar uma transição mais tranqüila.

Em quatro meses, alunos do curso de psicologia se reúnem com os pré-aposentados uma vez por semana para discutir questões como qualidade de vida e relacionamento com a família, entre outros assuntos. De acordo com Ana Carolina Valdo, uma das alunas da Unesp, são poucas as pessoas que fazem planos para suas aposentadorias. A maioria ainda não sabe o que vai fazer e, por isso, encara a situação com sofrimento.

Mesmo aqueles que já sabem o que farão depois que pendurar as chuteiras são importantes dentro do programa, segundo informa Maria Fernanda Daré, também aluna da Unesp. Ela ressalta que essas pessoas podem colaborar incentivando colegas que também vão se aposentar.

Outro aspecto bastante explorado durante o programa é o relacionamento do futuro segurado do INSS com a família. Quando ele pára de trabalhar, a tendência é ficar mais tempo em casa. Com isso, o risco de atrito com as pessoas que vivem sob o mesmo teto aumenta.

É trabalhada também a questão dos sentimentos que normalmente afetam os recém-aposentados, como a depressão e a crença de que se tornaram inúteis porque não estão mais produzindo.

As alternativas de lazer também foram abordadas durante o programa, segundo lembrou Fábio Ferreira da Silva. Fábio, Ana Carolina e Maria Fernanda são estagiários de psicologia organizacional. Além deles, participaram do programa Camila Andreucci e Mônica Cury.

Dos 80 servidores municipais que devem se aposentar entre este ano e o próximo, apenas 19 se inscreveram no programa, sendo que quatro desistiram no meio do caminho. O projeto começou em maio e foi até a segunda semana de agosto. A prefeitura implantou o programa há alguns anos e deve continuar em 2007.

Neste semestre, os estagiários de psicologia organizacional vão desenvolver o programa Preparando Para a Aposentadoria com os funcionários da própria Unesp. O mesmo projeto já foi realizado na Polícia Militar, no Centrinho e no Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru.

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Em busca do descanso

A jornalista Roberta Mathias, 35 anos, há três paga Previdência Privada. Segundo ela, foi a maneira que encontrou para garantir o mesmo padrão de vida que tem hoje quando se aposentar.

De acordo com as contas preliminares, se depender apenas dos benefícios do INSS sua renda mensal depois de aposentada vai cair pela metade. “Notei que precisaria de uma complementação de 50% e é isso que eu fui buscar na Previdência Privada”, explica.

Roberta conta que o plano foi oferecido por uma pessoa de confiança que trabalha em um banco. “Ele me explicou como funcionava, eu achei interessante e comecei a pagar”, comenta. Por diversas vezes, Roberta já pensou em parar, mas as vantagens a longo prazo, segundo ela, sempre acabam falando mais alto. “Às vezes, eu entro no cheque especial, mas não deixo de pagar as parcelas.”

Para usufruir dos benefícios, a jornalista terá de contribuir por mais 20 anos. É o tempo que ela precisa para chegar aos 55 anos de idade, quando começará a receber o dinheiro da Previdência Privada. Atualmente, Roberta paga cerca de R$ 300,00 e o valor é reajustado todos os anos.

O primeiro-tenente reformado do Exército Nilson (nome fictício a pedido do entrevistado), 79 anos, não se planejou para a aposentadoria. Mesmo assim se diz satisfeito com o que recebe atualmente. Ex-combatente da 2.ª Guerra Mundial, Nilson faz parte do pequeno grupo de aposentados do INSS que recebe o teto. Ou seja, R$ R$ 2.668,15.

Com esse valor, ele conta que é possível manter uma boa condição de vida. A única revolta dele é ter contribuído para a Previdência Social sem precisar. Como fez parte das Forças Armadas em época de guerra, o tempo é contado em dobro. Foram 18 anos no Exército, o que equivale a 36 anos de serviço para fins de aposentadoria por se tratar de um período beligerante.

Sem saber disso, o primeiro-tenente reformado contribuiu desnecessariamente para a Previdência até completar 35 anos, 7 meses e 8 dias de contribuição (considerando os 18 anos nas Forças Armadas). Com seqüelas na audição - herança deixada pela guerra -, Nilson foi buscar sossego no trabalho rural. Até hoje, trabalha como empregado em fazendas da região para manter-se ocupado. “Não posso reclamar da vida”, afirma, enquanto aproveita o merecido descanso.