09 de julho de 2026
Saúde

Novela das oito coloca assunto em destaque

Por Luiz Fernando Vianna | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Se “Páginas da Vida’’ aumentar o interesse pelas pessoas com síndrome de Down, grande parte do mérito será do carisma de Joana Mocarzel. A menina de 7 anos foi a escolhida pelo autor Manoel Carlos e pelo diretor Jayme Monjardim para ser Clara, um dos personagens mais importantes da novela da Rede Globo.

Seus pais, o jornalista e cineasta Evaldo Mocarzel e a produtora Letícia Santos, se assustaram com a idéia, mas a aceitaram depois de ver a animação de Joana com os atores. “Ela nunca nos perdoaria no futuro se lhe negássemos essa oportunidade. Mostrá-la na TV bonita e carinhosa, como ela é, é uma luz no fim do túnel para nós’’, diz Mocarzel, 46 anos.

O trabalho do cineasta está por trás da escolha de Manoel Carlos pela síndrome de Down como um tema da novela. Mocarzel fez em 2002 “Do Luto à Luta’’, um documentário sobre a doença que ganhou prêmios em festivais. “Acho que o filme semeou algumas coisas, inclusive na novela’’, satisfaz-se Mocarzel, que diz ter feito o documentário para ajudar os pais que, como ele, sentem o mundo acabar quando ouvem o diagnóstico.

“As pessoas sofrem mais porque não sabem o que seus filhos têm e o que poderão fazer na vida. A grande vilã é a falta de informação’’, afirma. O fato de uma telenovela atingir milhões de pessoas faz os pais de Joana acreditarem em um salto de informação. “Gostaria muito que a novela contribuísse para a criação de políticas públicas para a síndrome’’, diz Letícia, 42 anos.

Na novela, Clara é órfã de Fernanda (Fernanda Vasconcellos), e o pai, Leonardo (Thiago Rodrigues), a abandona. Ela ainda é rejeitada pela avó materna, Marta (Lília Cabral), e fica aos cuidados de Helena (Regina Duarte), obstetra que fez seu parto. O imbróglio se dá quando o pai volta para tentar a guarda da filha.

Na coletiva de lançamento, Joana ficou no colo de Jayme Monjardim. Por causa da síndrome, ela não tem textos grandes. Talvez improvise em algumas cenas. Mas, se mostrar o talento que exibiu ao tirar fotos para a reportagem, será difícil o público resistir ao seu carisma. “Ela gosta de falar “adoro família’ e nos beijar. Brinca muito com os irmãos (Laura, 9 anos, e Matheus, 3 anos) e, como está aprendendo a ler, acelerou o desenvolvimento do irmão, que já diz as letras’’, diz Mocarzel.