09 de julho de 2026
Bairros

Falta de arborização é mais crítica no Centro

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Os contrastes existentes numa cidade como Bauru fazem-se notar nos mais diversos aspectos, inclusive quando a questão da arborização das áreas públicas é levada em conta. Enquanto moradores de alguns bairros de periferia, como o Núcleo Gasparini, por exemplo, podem caminhar pela ruas sob a sombra de uma sibipiruna ou de um chapéu-de-sol, quem vive ou vai ao Centro sofre com a falta de árvores nas praças e calçadas.

Ananias dos Santos tem 70 anos, é aposentado e mora no Parque Santa Cândida (zona noroeste da cidade). Pelo menos uma vez por semana ele tem de ir à região da rua Batista de Carvalho para “resolver umas coisinhas”, segundo ele próprio diz. “Às vezes é pra mim mesmo, outras venho a pedido de amigos”, diz ele, numa manhã de quarta-feira, por volta das 11h.

A incidência de raios solares era grande no horário, tanto que Santos foi obrigado a se abrigar sob uma faixa de um metro de sombra gerada pelas paredes de uma loja da avenida Rodrigues Alves, enquanto aguardava pelo ônibus que o levaria de volta para casa.

“Não tem outro lugar para gente se esconder, o jeito é se espremer por aqui mesmo”, brinca. Nas proximidades do local onde Santos estava, a vegetação existente resume-se a duas pequenas árvores, que sequer eram capazes de fazer sombra, além dos arbustos plantados no canteiro central da via.

Ao chegar ao bairro onde mora, cerca de uma hora depois, o aposentado certamente continuou a ser fustigado pelo sol. Apesar de estar na periferia, o Parque Santa Cândida também sofre com problemas de arborização urbana.

“Lá quase não tem árvores nas calçadas”, diz Santos, segundos antes de dar sinal solicitando que a condução parasse. O vendedor Márcio Lopes, que mora no Parque Santa Edwirges (localizado na zona noroeste de Bauru), também sofre com a falta de vegetação na área central da cidade, sobretudo devido às altas temperaturas da região.

“O calor é insuportável, principalmente no verão. Sem árvores a situação fica pior ainda”, diz o vendedor. Ele é empregado de uma concessionária de motos que funciona na avenida Rodrigues Alves, um dos locais da cidade onde a arborização urbana apresenta estado mais crítico.

Quando Lopes associa o calor à falta de vegetação, não está fazendo uma mera divagação. Na verdade, o que ele diz pode ser comprovado por dados científicos. Pesquisa realizada pelo estudante de geografia da Universidade do Sagrado Coração (USC) Pedro Moraes Trentini mostra uma diferença média de 2,35ºC entre as temperaturas do Centro e da periferia (leia o texto abaixo).

“Quem vai a um bairro bastante arborizado, como o Núcleo Gasparini, por exemplo, logo sente que o ar é mais fresco quando comparado às regiões menos arborizadas”, diz Marcela Mattos de Almeida Bessa, engenheira florestal da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma).

O porteiro Mauri Ponce, de 45 anos, vive há 20 no bairro mencionado por Bessa (ele afirma ser o primeiro morador do conjunto habitacional). De acordo com ele, em tempos anteriores o local era mais arborizado. “Essa parte aqui era uma mata fechada”, diz, apontando uma vasta área localizada em frente à sua casa.

Ponce parece reclamar de barriga cheia: a rua onde ele mora, a dos Pedreiros, é repleta de árvores, algumas delas de grande porte. Quando tem de ir ao Centro, ele sente os efeitos provocados pela falta de vegetação. “Lá é quente demais”, diz, enquanto recolhe algumas folhas caídas na calçada de sua casa. “Dá vontade de só ficar por aqui mesmo”, completa.