11 de julho de 2026
Bairros

Projetos fracassam por ter apoio reduzido dos moradores

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Boa vontade e muita determinação não bastam para resolver o problema da falta de arborização na cidade. Prova disso foram duas experiências frustradas vivenciadas pelos membros do Instituto Ambiental Vidágua.

No ano passado, a Organização Não Governamental (ONG) tentou fazer a recuperação das matas ciliares nas margens de dois córregos de Bauru: o Água da Forquilha, na Vila Serrão (zona sul), e o Barreirinha, no Núcleo Beija-Flor (região nordeste da cidade).

A bióloga Fernanda Ribeiro de Franco, de 31 anos, participou da iniciativa. “Conseguimos recursos para cercar as faixas de 30 metros ao lado de cada margem dos rios, que são área de proteção ambiental e portanto não podem ser ocupadas”, lembra. Delimitada a área, os membros do instituto começaram o plantio das mudas nativas da região, criadas num viveiro mantido pela própria ONG.

O que poderia ter sido a feliz história da recuperação de uma área degradada da cidade, acabou se transformando em fracasso. “O problema é que as duas regiões eram habitadas e nem todos os moradores estavam dispostos a colaborar com o projeto”, diz Franco.

Apesar de os integrantes da ONG terem feito trabalhos de conscientização com parte dos moradores (inclusive palestras em escolas e visitas a residências), algumas pessoas não deram devida importância ao projeto. Até os arames das cerca chegaram a ser roubados.

“Depois disso soltaram gado, cavalos e até porcos nos locais. Boa parte das mudas acabou sendo destruída”, lamenta. Franco reconhece que convencer os moradores das áreas vizinhas aos córregos é um trabalho complexo.

“Fica difícil pedir para alguém que vive numa casa sem rede esgoto não jogar lixo no riacho”, pondera. Uma das lições aprendidas da tentativa frustrada foi, segundo ela, a necessidade de unir ações de caráter social aos projetos de preservação.

“Recuperação de áreas degradadas é um processo que leva tempo e, na maioria das vezes, as pessoas têm demandas urgentes, como alimentação, saúde e educação”, coloca. “O ambiental vai além da conservação dos recursos naturais. Trata-se de cuidar do próprio ser humano”, conclui.

____________________ ONG

Dois fracassos como os ocorridos nos projetos de recuperação dos córregos Água de Forquilha e Barreirinha não foram suficientes para manchar o currículo do Instituto Ambiental Vidágua. A Organização Não-Governamental (ONG) goza atualmente da fama de ser uma das principais entidades ligadas a assuntos ambientais em Bauru e região.

Empenhada na preservação de rios e córregos da região, o instituto dá ênfase especial ao trabalho de recuperação de matas ciliares. A ONG mantém um viveiro com espécies do cerrado e da mata atlântica, com capacidade para cerca de 100 mil mudas.

As árvores, destinadas a projetos de reflorestamento ou plantio em calçada, podem ser adquiridas por qualquer interessado, a preços que variam de R$ 0,70 a R$ 2,50. “Se alguém que vive em outra cidade quiser comprar uma muda, não tem problema. Basta que venha até aqui buscar”, diz a bióloga Fernanda Ribeiro de Franco.

O Instituto Vidágua mantém uma parceria com o Instituto Mata Atlântica num projeto denominado Click Árvore, por meio do qual as pessoas podem apoiar programas de reflorestamento através da Internet. A participação é gratuita e o plantio das árvores é bancado pelos patrocinadores do site.

Serviço

O Instituto Ambiental Vidágua fica na avenida Cruzeiro do Sul, 26-40. O telefone é (14) 3281-2633. O site do projeto Click Árvore é www.clickarvore.com.br.