09 de julho de 2026
Nacional

Alckmin diz ter ‘externado’ indignação da população

Por Felipe Neves | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - O candidato à presidência da República pelo PSDB, Geraldo Alckmin, afirmou ontem que “externou” uma vontade da população ao cobrar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que concorre à reeleição pelo PT, sobre os escândalos de corrupção do governo.

“Acho que externei um sentimento de indignação do povo brasileiro. Isso aí estava parado na garganta de todo mundo. Fui um instrumento do povo’’, disse Alckmin sobre sua participação no debate realizado anteontem na Bandeirantes. O tucano negou que tenha adotado um tom agressivo. Disse que dormiu com a “consciência tranqüila’’ porque foi “verdadeiro’’.

“O estilo é o mesmo. É que o Lula não foi aos outros debates. Eu gosto de falar as coisas na frente das pessoas’’, disse o tucano. Alckmin, no entanto, disse que as acusações ao governo Lula não serão a tônica da campanha eleitoral durante o segundo turno. De acordo com ele, as questões centrais serão economia e crescimento. “Mostrar o quanto o Brasil pode avançar mais.”

Aliança

Alckmin, que no início da tarde participou de uma reunião com os presidentes do PFL (Jorge Bornhausen) e do PPS (Roberto Freire), disse que vai tentar fechar o apoio do PDT à sua candidatura.

Segundo ele, os compromissos que o PDT pediu são semelhantes aos que ele acredita ser o melhor para o País. Os tópicos abordados pelo PDT, segundo Alckmin, são a manutenção de direitos trabalhistas, investimentos na educação e a não-privatização de estatais importantes, como os Correios, Banco do Brasil e Petrobras.

Sobre essa questão da privatização, Alckmin fez questão de negar que pretende vender o patrimônio do Estado como acusa a campanha petista. Ele aproveitou para alfinetar a indicação de cargos de direção das estatais como moeda de troca política. “Pelo contrário, nós vamos reestatizar, no sentido de que empresas não são para ser de partidos, mas do Brasil.”

Postura

O candidato do PSDB à Presidência deve continuar com o tom crítico ao governo nos próximos debates previstos entre os presidenciáveis, mas deve reservar um tempo maior para discussão de propostas, segundo avaliação do presidente do PSDB paulista, o deputado estadual Sidney Beraldo.

“Eu penso que ele deve mesclar (críticas com propostas). Você tem que fazer a cobrança. A própria sociedade exige isso, principalmente aqueles que votaram no Alckmin”, afirmou o deputado tucano. Beraldo admite que, no debate de anteontem à noite, nenhum dos dois presidenciáveis dedicou muito tempo para a discussão de propostas para o País.

“No próximo debate isso vai ser possível. Vai haver um tempo maior para discussão de propostas, sobre como desenvolver o País”, acrescenta. O tucano paulista procurou rebater as declarações do candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de que Alckmin não mostrou preparo e de que se comportou como “um delegado de porta de cadeia”.

O presidente também teria reclamado do tom agressivo utilizado pelo adversário tucano. “Ele comanda um governo atolado em corrupção, com problemas gravíssimos com o seu partido, o partido que ele fundou. O que ele esperava? Flores?”, afirma o tucano.

Propaganda irregular

O Ministério Público Eleitoral de Goiás encaminhou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma denúncia de propaganda irregular contra o candidato à Presidência da República pelo PSDB, Geraldo Alckmin. Segundo o Ministério Público Eleitoral, a propaganda irregular seria um painel com mais de quatro metros e pinturas na fachada de um prédio em Goiânia.

De acordo com a denúncia, a propaganda estaria irregular por conta da dimensão do painel, superior ao permitido pela legislação, e também por contrariar o código de posturas de Goiânia. O Ministério Público Eleitoral pede a retirada da propaganda sob pena de aplicar multa diária no valor de R$ 10 mil em caso de desobediência.