09 de julho de 2026
Cultura

Artigo: A voz da ‘Geração Coca-Cola’

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 2 min

Só quem viveu, e sobreviveu, aos anos 80 sabe o que significou a Legião Urbana. Pode ser que hoje, mais maduros, alguns até coloquem em segundo plano a banda de Renato Russo, mas é inegável que através de suas músicas, a juventude da época tinha algo a dizer. Era isso que a Legião representava: a voz daquela geração, da qual me orgulho de ter participado.

Mais do que ouvir as músicas, assistir a um show da Legião representava um marco para seus fãs, principalmente porque as apresentações da banda se tornaram cada vez mais escassas. Tive minha oportunidade no dia 12 de agosto de 1990, quando a banda se apresentou em São Paulo, mais especificamente no Parque Antártica, e posso dizer que foi inesquecível. Mostraria a vocês o canhoto do ingresso, mas está muito bem guardado, em lugar seguro.

Lembro que faltavam horas para o show e milhares de pessoas já tinham fechado a avenida Francisco Matarazzo, para desespero de motoristas e policiais. A organização não teve outra saída, a não ser abrir os portões com mais de duas horas de antecedência para que uma verdadeira “legião” de fãs esperasse pela hora de ver seus ídolos no palco.

A hora chegou e o que vi foi o melhor show da minha vida. A intensidade da relação entre artista e público era visível, e não eram necessárias muitas palavras para que a mensagem fosse captada; apenas música, e cada uma delas tinha uma mensagem. Sabíamos disso. Foram duas horas e meia de poesia e rock, de uma ligação intensa entre público e banda, de um sonho que estava sendo realizado por mais de 50 mil pessoas.

Gastaria mais de uma página para relatar a sensação de estar ali, naquele momento, presenciando a maior banda de rock do País mostrando porque era a maior. Talvez quem apenas ouviu Legião Urbana tenha a sensação de que algo está faltando, mas quem viu Renato Russo, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá no palco, “conversando” com o público, sabe exatamente o que é ser legionário. E isso o tempo é incapaz de apagar.