08 de julho de 2026
Politicando

Cadê minha mala?


| Tempo de leitura: 2 min

Conforme os ônibus iam chegando nas proximidades de Salvador, conduzindo as delegações que iriam participar do Congresso de Reconstrução da UNE, em 1979, eram parados pela polícia baiana que gentilmente dava as boas-vindas e explicava que todos os veículos iriam ficar estacionados em uma área na periferia da cidade com o intuito principal de serem evitados tumultos na capital baiana.

Do estacionamento até a Praça Campo Grande, os estudantes seriam transportados gratuitamente por circulares contratados pelo governo do Estado, sendo que neste local estava montada a central de cadastramento dos congressistas, além de serem distribuídas as senhas para o alojamento.

Alguns estudantes, dentre eles o hoje vereador Marcelo Borges, foram acometidos pela síndrome de Ubaldo, o paranóico, personagem do imortal Henfil, e começaram a achar que era uma armadilha do governador da Bahia, sr. Antonio Carlos Magalhães. Colocaram na cabeça que seríamos levados para um local qualquer e presos, talvez metralhados.

Com tal premissa na cabeça, resolveram deixar suas mochilas no ônibus fretado. Alguns mais assustados escreveram bilhetes para as famílias e esconderam dentro das roupas onde afirmavam chorosos que se aparecessem mortos, jamais teriam se suicidado etc...

Para surpresa geral, os ônibus nos conduziram diretamente para a Praça Central de Salvador e com direito a escolta policial. Realizado o cadastramento e com as senhas de alojamento em mãos, o bloco dos Ubaldo’s conseguiu carona e retornou ao local de estacionamento com a finalidade de pegarem suas mochilas. Lá chegando, a surpresa: Cadê os ônibus? A polícia os havia direcionado para outro local.

Muitos ficaram hospedados em casas de família que se prontificaram a recepcioná-los. Marcelo Borges e João Queiróz – João Grandão – ficaram hospedados na casa de um casal de classe média. Depois da interminável viagem e de um dia andando em Salvador, suados, cansados, com o desodorante vencido, tomaram um longo banho e o Marcelo surge na sala com a mesma roupa. Saíram à noite, voltaram e no dia seguinte na hora do café da manhã retorna o nosso amigo com a mesma indumentária. Foram para o Congresso, um calor insuportável e no retorno, ao irem tomar banho, Marcelão apanhou a camiseta usada pelo João, analisou, apalpou, cheirou e não teve dúvidas:

- Camarada... está muito melhor que a minha!

E a vestiu, para depois virar pela enésima vez a cueca. O casal de baianos ficava na dúvida: o mau cheiro que persistia no apartamento era resquício do incêndio ou do barbudo de Bauru.

Era do barbudo!

Contada por Antonio Pedroso Júnior