08 de julho de 2026
Regional

Sorocabana pode parar maternidade

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 2 min

Botucatu - Devido ao período eleitoral e à troca do governo do Estado, o Hospital Regional Sorocabana de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) vive uma indefinição sobre o futuro dos repasses de verbas do governo estadual para manter os serviços de partos diferenciados da maternidade administrada pela unidade.

Segundo o diretor administrativo do Hospital Regional Sorocabana, Agostinho Gonçalves, a partir do mês que vem os repasses da Secretaria da Saúde do Estado serão reduzidos e a unidade hospitalar deve passar a realizar apenas partos simples, sem acompanhamento de equipe especializada como vinha ocorrendo.

“Nós vamos continuar, mas com padrão mais simples de atendimento até que o próximo governo defina como ficará a situação”, conta o diretor.

A maternidade do Hospital Sorocabana executa, em média, de 100 a 120 partos diferenciados por mês. Segundo Gonçalves, com o fim do convênio, o hospital deve passar a encaminhar este tipo de parto para o Hospital das Clínicas (HC), da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Gonçalves acredita que a indefinição sobre o convênio e os repasses é fruto do período eleitoral e, conseqüentemente, da mudança de governo.

“É uma situação bastante desagradável que atinge toda a população. É a mudança de governo, então pára tudo e deixam que o próximo (governo) assuma dentro do seu esquema de trabalho e com isso a população fica prejudicada”, lamenta o diretor.

Além do repasse mensal de cerca de R$ 40 mil feito pelo Estado através do Fundo para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), o Hospital Sorocabana também recebe em torno de R$ 56 mil por mês da prefeitura.

O repasse do município é destinado apenas para cobrir os custos com o Pronto-Socorro Municipal, anexo ao hospital. “Esse repasse do município é em torno de R$ 56 mil sendo que os custos por mês para o hospital é bem superior a isso, ultrapassa os R$ 100 mil, porque nós temos despesas com funcionários, limpeza, água, luz, oxigênio”.

Gonçalves explica que o repasse do Estado também é insuficiente e que existe um déficit de R$ 4 mil ao mês no hospital. “O déficit é em relação a anestesistas e o hospital está bancando isso a duras penas”, adverte.

Devagar

O diretor revela que o atendimento no hospital será limitado até que haja uma definição sobre os repasses. “O hospital vai se limitar ao atendimento porque não pode arcar com os custos que isso representa e não tem de onde tirar dinheiro”, conclui, lembrando que 99% dos atendimentos da unidade são feitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).