09 de julho de 2026
Nacional

Alckmin desdenha Datafolha e diz que 2o turno ‘zera’ placar

Por Cristina Charão | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - O candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, desconsiderou ontem os resultados da pesquisa Datafolha divulgados ontem afirmando que o segundo turno “zera” a eleição. Para o tucano, a campanha recomeça hoje, com a volta do programa eleitoral no rádio e na TV, sem diferença favorável a ninguém.

O Datafolha mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, oscilou positivamente um ponto percentual, chegando a 51%, enquanto Alckmin marcou 40%, três pontos a menos que na pesquisa anterior. “A campanha vai recomeçar hoje, com a TV e o rádio. Zera tudo, começa daqui para frente. Nós vamos crescer de novo”, disse o candidato, em entrevista às rádios Bandeirantes e BandNews.

Pouco antes, comentando seu desempenho no Estado de Minas Gerais - onde seu aliado Aécio Neves venceu a eleição com mais de 70% dos votos, mas na eleição presidencial, Lula levou a melhor -, Alckmin já havia dado a entender que não se preocupa com previsões iniciais. “Sou um candidato de chegada”, afirmou.

Para reforçar a idéia de que confia numa virada, o candidato do PSDB desqualificou as pesquisas de intenção de votos. “Sempre gostei de estatísticas, mas como erraram (no primeiro turno) uma barbaridade. Você pode escolher quem errou menos”, comentou.

De acordo com Alckmin, as pesquisas feitas pelo Datafolha nas últimas eleições sempre erraram sobre o desempenho do PSDB e do PT. Ele afirmou que, nos pleitos de 2002 e 2004, os candidatos tucanos tiveram votações mais expressivas do que o previsto e o PT, um número menor de votos.

“No meu caso, no primeiro turno, foi subestimada a minha votação e superestimada a do Lula”, acrescentou.

Estratégia

Apesar de a postura mais agressiva adotada por Alckmin no primeiro debate deste segundo turno, realizado no domingo, aparentemente não ter surtido efeito sobre o eleitorado, o candidato deu a entender que não vai mudar de tom. Não usou a palavra “agressivo” ou “ataque”, mas disse que vai seguir fazendo o que fez até agora.

“O estilo é o mesmo: falar a verdade”, disse no início da entrevista. Ao final, uma hora depois, fez uma definição mais amena de sua estratégia, mas ainda assim alfinetou a campanha do seu adversário. “Vou falar para as pessoas “olha, dá pra melhorar”, e desmentir as mentiras. Todo dia é uma mentira para gerar medo”, afirmou.

Entre os temas que Alckmin considera mentiras de seu adversário, a mais explorada na entrevista foi a questão das privatizações. O candidato insistiu que não há previsão de processos de privatização em seu programa de governo e tentou reverter a discussão, afirmando que a proposta de seu adversário é aumentar impostos.

“O governo Lula, com esta cabeça de que não tem o setor privado, vai ter que aumentar mais imposto”, acusou Alckmin, depois de dizer que ele não pretende fazer “venda de ativos”, mas “trazer a iniciativa privada para fazer parceria público-privada” para a ampliação da infra-estrutura do País.

Em um segundo momento, opôs a sua visão de governo eficiente atuando em parceria com o setor privado à suposta visão do governo Lula de inflar o Estado. “Ele (Lula) não vai cortar gastos. Vai aumentar impostos”, afirmou. Questionado sobre onde faria cortes nos gastos do Estado, Alckmin disse que sua estratégia é o combate à corrupção e ao desperdício. Segundo ele, é desperdício ter 34 ministérios.