Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato da Coligação A Força do Povo (PT-PRB-PC do B) à reeleição, adotará uma postura agressiva em relação ao candidato a presidente Geraldo Alckmin (PSDB), da Coligação Por um Brasil Decente (PSDB-PFL), nos próximos debates.
O chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Tarso Genro, informou ontem que Lula atacará Alckmin com a questão do crime organizado em São Paulo, especialmente, a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC). Esse é um assunto que irrita o tucano.
No primeiro debate do segundo turno, realizado pela Rede Bandeirantes, domingo, Alckmin surpreendeu o presidente pela agressividade, por perguntar, insistentemente, qual a origem do dinheiro apreendido com petistas e que serviria para a compra do dossiê antitucano e por insistir na discussão sobre a ética.
Refeito da surpresa, e animado com o crescimento de Lula nas pesquisas eleitorais, Genro disse que ele não fugirá da discussão sobre comportamento moral, mas acrescentará outra, relativa à segurança. “Queremos ir mais adiante e examinar uma questão fundamental que ainda não foi debatida; por exemplo, a questão do PCC em São Paulo.”
“Como é que um cidadão que governa quatro anos, e que seu partido esteve 12 anos no poder, não sabia que uma organização criminosa toma conta dos presídios e do preparo de uma insurreição que ceifou milhares de vidas?”, perguntou. “Isso é um sinal de irresponsabilidade pública e inadmissibilidade”, afirmou.
Pesquisa
Ele, como todo o PT e a campanha de Lula, estava eufórico com o resultado da pesquisa do Instituto Datafolha divulgada ontem, que aponta para uma diferença de 11 pontos porcentuais entre o petista e Alckmin. Para Genro, ficou claro que “o público percebeu que o adversário do petista é a continuidade de um governo irresponsável que privatizou os bens públicos sem conseguir reduzir a dívida pública”, disse. “A expressão dele (Alckmin) de vender um bem público (o avião presidencial) só porque não era ele que estava usando mostrou que sua proposta é de um governo irresponsável”, afirmou.
“Quando o candidato Alckmin disse que iria vender o avião da Presidência da República, fez-nos lembrar que o partido dele fez uma venda de US$ 100 bilhões e ainda assim a dívida pública triplicou.”
O resultado do levantamento pesquisa de intenção de votos do Datafolha, que aponta o crescimento de Lula na disputa eleitoral com o candidato da Coligação Por um Brasil Decente, mudou o ânimo dos aliados e do comando da campanha do petista.
De acordo com interlocutores de Lula, apesar da avaliação negativa de assessores próximos ao petista e da mídia sobre o desempenho dele no programa da Rede Bandeirantes, as sondagens qualitativas do comando da campanha pela reeleição apontavam para o desgaste de Alckmin.
Fontes que estiveram ontem com Lula disseram que ele demonstrava uma grande animação e traçava os locais que visitará na campanha até o segundo turno. Na avaliação de integrantes do comando da campanha de Lula, o candidato tucano perdeu-se ao deixar o discurso equilibrado para adotar a posição defendida por alguns dos aliados que têm uma atuação mais raivosa contra o presidente, como os presidentes nacionais do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), e do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), e o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).