11 de julho de 2026
Nacional

Vôo 1907: outros cinco corpos são encontrados por equipes de resgate; 15 vítimas foram identificadas

Por Da Redação | Com Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Peixoto de Azevedo - Mais cinco corpos foram encontrados ontem por equipes que trabalham no resgate das vítimas do acidente com o vôo 1907 da Gol, em Peixoto de Azevedo (MT). Quatro estavam embaixo do trem de pouso e de parte das asas do avião que se acidentou. Uma equipe de técnicos especialistas em remoção de aeronaves, cedida pela Varig, auxiliou no resgate dos quatro corpos.

O quinto corpo, de uma jovem, estava em outro ponto da floresta e deverá ser facilmente identificado, em razão de ter uma tatuagem. Com a localização dos cinco corpos, restam somente quatro a serem achados.

O acidente entre o Boeing-737/800 e o Legacy da Embraer resultou em 154 mortos. Uma equipe que trabalha na operação havia partido ontem para uma região onde, segundo índios que auxiliam nas buscas, pode haver corpos. Dois peritos - Sérgio Augusto Guiduglia e Ailor Jacob Dalla Costa - começaram ontem a trabalhar na cabine do avião, onde há também boas chances de haver corpos.

Identificação

Foram identificadas ontem mais 15 vítimas do acidente com o Boeing da Gol. No total, peritos de diferentes institutos da Polícia Civil do Distrito Federal já reconheceram 134 corpos. O acidente matou 154 pessoas.

Segundo o Instituto Médico Legal (IML) de Brasília, já haviam chegado ao local até as 18h30 de ontem 145 corpos. Desse total, 112 foram retirados por familiares para enterro.

A maior parte das vítimas foi identificada por meio da análise das impressões digitais. Mas, em alguns casos, o estado de conservação dos corpos não permitiu o exame das impressões. Entre os 15 identificados ontem, cinco precisaram de análise da arcada dentária. Uma criança, Pedro Henrique Braule Pinto Garcia, 3 anos, do Amazonas, foi identificada por DNA.

Sigilo

A exemplo da Aeronáutica, a Polícia Federal (PF) decidiu manter sob sigilo a investigação sobre as causas do acidente. “A investigação deles é sigilosa e nós vamos seguir o mesmo padrão de investigação da Aeronáutica”, disse o delegado Renato Sayão, em tumultuada entrevista na entrada do hangar da Polícia Federal em Brasília.

“Não é função do delegado passar informação de inquérito para a imprensa. Infelizmente, não vamos ter informações nos próximos dias”, prometeu.

A entrevista foi concedida minutos após Sayão encontrar-se com o coronel Rufino Antônio da Silva Ferreira, responsável pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). Ontem pela manhã, o delegado recebeu o advogado José Carlos Dias, que representa os pilotos americanos. Ontem, Sayão não quis divulgar a data em que os pilotos serão ouvidos. “É bem provável que seja na próxima semana.”

De acordo com o delegado da PF, é cedo para tirar conclusões relacionadas ao fato de o Legacy estar a 37 mil pés, a mesma altitude que o avião da Gol.

Plano de vôo

Sayão também quer se reunir com representantes da comissão que investiga o acidente antes de marcar os depoimentos dos controladores de tráfego que trabalhavam no dia 29 do mês passado, quando o avião caiu.

À Agência Brasil, o delegado da Polícia Federal afirmou já ter recebido o plano de vôo do jato, considerado uma peça importante nas investigações. O plano de vôo do Legacy previa que o avião voasse a 37 mil pés (cerca de 12 quilômetros de altura) de São José dos Campos (SP) a Brasília, baixasse a 36 mil pés, após passar por essa cidade, e subisse a 38 mil a partir de um ponto da carta de aviação chamado Teres. Esse ponto fica a menos de 15 minutos, na velocidade do avião, do local onde houve a colisão entre Legacy e o avião da Gol.

Para a Polícia Civil de Mato Grosso, que também investiga o caso, os pilotos afirmaram que mantiveram uma altitude de 37 mil pés, seguindo à risca o plano de vôo, e que tiveram dificuldades para entrar em contato com o controle de tráfego aéreo.

As polícias Civil e Federal conduzem investigações paralelas até que a Justiça decida de quem é a competência para apurar o acidente.