08 de julho de 2026
Cultura

Chapeuzinho do século 21

Por Da Redação | Com Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Quem é Chapeuzinho Vermelho? E o que essa inocente menina vai fazer sozinha em uma floresta escura, onde dá ouvidos a um estranho, antes de se espantar com o tamanho avantajado dos membros da sua suposta avó? Conto moral, metáfora sobre o despertar da sexualidade feminina ou referência velada à prostituição infantil, tudo depende da época em que o clássico conto de fadas é contado.

Essa possibilidade de múltiplas interpretações é o bom ponto de partida de “Deu a Louca na Chapeuzinho”, animação nos moldes de “Shrek” que não chega, no entanto, a cumprir a esperada promessa de esculhambação e reinvenção em torno de um mito. A referência dessa sátira é a versão que ficou mais conhecida, a dos irmãos Grimm, aquela em que o lenhador salva a menina do lobo.

A animação é uma visão satírica do conto de fadas tradicional, mas que se equilibra precariamente em algum ponto entre “Shrek” e o nada. Apesar de ter atraído um elenco de voz que inclui Glenn Close, Jim Belushi e Anne Hathaway, este primeiro trabalho da Kanbar Animation, empreendimento formado pelo inventor da Skyy Vodka, Maurice Kanbar, e a veterana da animação Sue Bea Montgomery, se perde parcialmente em seus próprios meandros.

O tom cômico do filme é demasiado monótono para sustentar um formato de longa-metragem e sua animação digital não chega a fluir livremente. Os roteiristas Cory Edwards (que também dirigiu o filme), Todd Edwards e Tony Leech transformam a invasão da casa da vovozinha numa investigação de cenário de um crime.

Vemos o “crime” sob quatro pontos de vista diferentes: Chapeuzinho (voz de Anne Hathaway) é especialista em artes marciais, a vovozinha (Glenn Close) prefere praticar esportes radicais a fazer tricô, o Lobo Mau (Patrick Warburton) é um jornalista investigativo e o Lenhador (Jim Belushi) é um ator iniciante e pouco inteligente. O investigador encarregado do caso é o anfíbio Inspetor Nick Pirueta (David Ogden Stiers), que é acompanhado pelo Chefe Urso (Xzibit) e o detetive Bill Stork (Anthony Anderson).

Mas suas tentativas de descobrir a identidade do criminoso conhecido pelo apelido de Bandido das Guloseimas rendem apenas certos momentos passageiros de inspiração cômica, após os quais o espectador se cansa muito antes de todos saírem felizes para sempre. É o tipo de coisa que teria cabido bem num desenho animado de curta duração, mas, com 81 minutos e um ritmo um pouco arrastado, a produção simplesmente garante somente risos suficientes até o fim da pipoca.