Garça - A Câmara Municipal de Garça (70 quilômetros de Bauru) está desenvolvendo o projeto “Câmara Mirim”, que vai eleger nove alunos de escolas públicas e particulares para compor uma espécie de “Legislativo” adolescente na cidade. O projeto educacional está mobilizando alunos e professores de 18 escolas do município.
O objetivo é fazer com que as crianças se interessem logo cedo pela prática da cidadania e compreendam o funcionamento do Poder Legislativo.
“Tem um caráter educacional para poder aproximar os alunos do Poder Legislativo para eles aprenderem mais sobre o processo para a formação de novos líderes. O objetivo maior é este”, salienta José Roberto Carvalho, subdiretor da Secretaria da Câmara Municipal de Garça.
A idéia de criar a “Câmara Mirim” foi do vereador e presidente da Casa, Adamir Maurício de Barros (PRP), que recebeu o apoio unânime dos demais vereadores.
Barros explica que o projeto de criar uma “Câmara Mirim” surgiu após ele observar o interesse dos adolescentes pelas coisas públicas e por sentir a necessidade de renovação no ambiente político do País.
“Nós temos contato com vários adolescentes da cidade e temos observado que eles se interessam pelas coisas públicas, por parte da política. Assim, pensando no futuro para melhorar esta política, e diante dessa corrupção generalizada que está acontecendo no Brasil, eu senti que é o momento de iniciarmos uma campanha para a renovação, para acabar com esses vícios. É por este motivo que nós estamos nos esforçando para incentivar os jovens a entrarem na política de uma forma diferente do que eles estão vendo na televisão”, argumenta o vereador.
De acordo com o Projeto de Resolução criado por ele, no início de setembro, cada uma das nove escolas da cidade, que oferecem cursos da 5.ª a 7.ª série, devem eleger um vereador mirim que vai compor a futura “Câmara Mirim”.
Cada escola pôde indicar até cinco alunos candidatos. A eleição para escolher o representante de cada colégio será no dia 25 de outubro. Até lá, os estudantes poderão fazer a sua campanha eleitoral dentro da escola, inclusive, utilizando materiais de publicidade e expondo suas idéias através de debates.
Apenas os alunos que cursam da 5.ª a 7.ª série, e com idade máxima de 14 anos, puderam se candidatar a uma das nove vagas para a “Câmara Mirim”. No entanto, todos os alunos das 18 escolas da cidade que cursem da 4.ª a 8.ª séries poderão participar das votações.
Carvalho explica que cada escola nomeou uma comissão formada por três professores ou funcionários. Esta comissão ficará responsável pela realização da eleição dentro da sua escola. “Eles vão dar o suporte para os alunos e contam também com o apoio dos funcionários da Câmara”, ressalta.
O chefe do Legislativo lembra que a cidadania e a conscientização política devem começar nas escolas e se diz emocionado com o interesse demonstrado pelos adolescentes com relação ao projeto.
“Se este tipo de iniciativa tivesse sido implantada em anos anteriores, hoje (a política) já estaria bem melhor. A escola é o melhor local para isso. Nós temos observado que as crianças estão nos procurando, estão vindo visitar à Câmara para ver como ela funciona. Está emocionante o procedimento destas crianças”, comemora.
Barros lembra que são 43 candidatos mirins sendo que 22 deles são mulheres e 21 são homens. “Há muito interesse das adolescentes na política, eu acho isso importantíssimo”, diz, lembrando que daqui a alguns anos muitos desses jovens poderão se tornar candidatos a vereador na cidade.
O parlamentar revela que pretende levar o juiz eleitoral da cidade até a Câmara para realizar uma palestra para os candidatos mirins. “O departamento jurídico aqui da Câmara vai marcar com o juiz para vir fazer uma palestra para todos eles”, conta animado.
Posse
Os alunos eleitos, em votação a ser realizada no dia 25 de outubro, devem tomar posse no dia 7 de novembro e a primeira sessão ordinária da “Câmara Mirim” será no dia 13 de dezembro.
Toda segunda quarta-feira do mês, os vereadores mirins realizarão uma sessão ordinária na Câmara em que poderão expor seus projetos ou reivindicações.
“No caso deles apresentarem um requerimento, uma indicação, até mesmo um projeto de lei, vai ser encaminhado para a Câmara adulta, que vai analisar”, conclui Carvalho, não descartando a possibilidade dos projetos dos vereadores mirins se tornarem realidade no município.