São Paulo - A Polícia Civil de São Paulo conclui ontem o inquérito sobre a morte do deputado estadual e coronel da Polícia Militar (PM) Ubiratan Guimarães, assassinado com um tiro no abdômen, no dia 9 de setembro. Para os policiais do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), a namorada da vítima - Carla Cepollina - é a única responsável pelo crime. Ela foi indiciada no dia 27 do mês passado por homicídio duplamente qualificado - por motivo fútil (ciúme) e recurso que impossibilitou a defesa da vítima (Ubiratan estava desarmado).
Na ocasião, apesar do indiciamento, a polícia e o Ministério Público disseram que Carla colaborou com as investigações, por isso não pediram sua prisão preventiva. Com a conclusão do inquérito, o Ministério Público deve apresentar denúncia (acusação formal) contra a advogada nos próximos 15 dias. Caberá à Justiça aceitar ou não a denúncia. Se for aceita, Carla será processada. Ela nega envolvimento no assassinato.
Roupas
Um dos pontos que pesa contra Carla é o fato de ela ter entregue à polícia roupas diferentes das que usou no dia do crime, conforme apontou laudo do Instituto de Criminalística (IC). A perícia se baseou nas imagens captadas pelo circuito interno de câmeras do prédio onde mora, que mostra Carla vestindo roupas claras.
Policiais do DHPP afirmaram que a advogada entregou uma blusa escura. A blusa verdadeira, a clara, havia sido pega pela polícia numa das buscas à casa dela. Estava dentro de um balde com água. Ainda segundo laudo do IC, outra muda de roupa, uma calça de veludo verde escuro que Carla vestia no dia do crime, tem manchas de sangue.
No início do mês, ao ser questionado sobre o resultado do laudo, o advogado de Carla, Antônio Carlos de Carvalho Pinto, disse que iria questionar os métodos empregados pelo IC. Crime Comandante da operação conhecida como massacre do Carandiru, que resultou na morte de 111 presos em 1992, Ubiratan foi baleado em seu apartamento, nos Jardins (zona oeste de São Paulo).
O corpo foi encontrado na noite seguinte, enrolado em uma toalha. Segundo a polícia, o coronel foi morto com um tiro de uma de suas armas - um revólver calibre 38 que não foi encontrado no local do crime.