Quem vê o empresário Cássio Nunes Carvalho no dia-a-dia, administrando suas quatro lojas especializadas em roupas e acessórios masculinos, talvez não imagine que o espírito aventureiro faça parte de sua personalidade.
Aos 52 anos, Cássio adora viajar. Com freqüência e na companhia da esposa Maria Elídia, ele “embarca” em sua moto BMW e cai na estrada. Conheceu a Route 66, nos Estados Unidos, e também explorou diversos Estados americanos sobre duas rodas. Recentemente, por exemplo, viajou de moto para a Bahia, onde passou dez dias curtindo as praias da região.
A diversão se restringe às viagens. No trabalho, é exigente e dedicado. Herdou do pai e do avô o talento para os negócios e, ainda na infância, começou a trabalhar na Casa Carvalho, existente há 82 anos na cidade. Nos anos 90, inaugurou outra loja de confecções no Bauru Shopping Center. Em 2002 abriu, também no shopping, uma loja de calçados. Há dois anos, comanda uma filial da Casa Carvalho em Botucatu. Tudo isto com a ajuda da esposa e também do filho Fábio, que deve representar a quarta geração das lojas Casa Carvalho.
A trajetória pessoal e profissional de Cássio, bem como suas conquistas e fatos marcantes, são compartilhados com os leitores na entrevista a seguir. Confira os principais trechos.
Jornal da Cidade - Como é o Cássio fora do trabalho?
Cássio Carvalho - Sou mais caseiro. Não sou de sair muito, fico mais em casa, com meus filhos e minha esposa. Vou todo final de semana no serpentário da sede de campo do Bauru Tênis Clube (BTC) para descontrair, encontrar os amigos, bater papo e conversar.
JC - Qual é sua função no BTC?
Cássio - Sou conselheiro vitalício. Já fiz parte da diretoria, fui secretário, conselheiro por mais de 20 anos e, de acordo com a denominação do estatuto, me tornei conselheiro vitalício. Meu pai comprou o título do clube quando eu era criança.
JC - O senhor pratica algum esporte?
Cássio Carvalho - Infelizmente não pratico mais porque tive uma necrose na cabeça do fêmur e precisei fazer uma cirurgia. Tenho uma prótese na perna direita do fêmur e no quadril. E o médico não aconselha fazer esforço repetitivo ou mais forte com essa perna. Faço um pouco de musculação, caminhada para manter a musculatura e para poder ter fôlego para fazer os passeios de moto.
JC - Passeios de moto estão entre suas atividades preferidas?
Cássio - Sempre gostei e tive moto. Eu 1998, fui com um grupo de Bauru percorrer um trecho da Rota 66, nos Estados Unidos. Saímos de Los Angeles, fomos para Nevada, no Arizona, e para Califórnia. Passamos por Las Vegas e por lugares interessantes. Entre eles o deserto, que é muito quente e, devido à velocidade da moto, às vezes dá sensação de falta de ar. Dois anos depois viajamos para a Flórida de moto também. Aluguei a Halley Davison e fomos até o sul da Flórida, depois subimos pelo Centro e descemos pelo litoral. E há dois anos, viajamos para a Califórnia. Neste tempo adquiri uma moto para poder passear em Bauru. Comprei uma BMW, em 2001, e aí comecei a fazer passeios no País. Também entrei para o clube BMW do Brasil. Nós teremos uma confraternização em novembro, em Gramado, e já tenho uma viagem programada. Eu e mais três amigos vamos nos encontrar e seguiremos para lá.
JC - Cite um local ou passeio preferido que já tenha realizado.
Cássio - O lugar que eu mais gosto é praia. Me sinto à vontade e acho que férias é sinônimo de viagem ao litoral. Mas apesar disto, passar um tempo em montanhas e fazendas também é interessante.
JC - Recentemente o senhor esteve na Bahia. Como foi a viagem?
Cássio - Eu e minha esposa temos uma amiga que é dona de uma pousada em Imbassaí. Nunca havia viajado para lá. Chamei minha esposa para ir de moto e ela topou. Fomos pela rodovia Fernão Dias, passamos pela Rio-Bahia e fomos até Governador Valadares. Foram 1.200 quilômetros. No dia seguinte acordamos, continuamos pela BR 101 e subimos até Itabuna, mas antes de chegar na cidade, um guarda rodoviário nos parou para revistar e verificar o documento da moto. Percebi que o pneu estava gasto de um lado e fui à Itabuna para trocar o pneu. Perguntei na cidade se havia um hotel para passar a noite e fui indicado a um senhor, Eduardo Fontes, que também tem uma BMW. Ele desmarcou uma reunião do Rotary, chamou os amigos motoqueiros e ficamos batendo papo. Foi uma noite muito agradável. Outro momento interessante desta viagem foi quando atravessamos Salvador para a Ilha de Itaparica de ferryboat. Mas como estava chovendo e o mar estava agitado, tive que subir na moto e segurá-la bem. A navegação durou uma hora e foi uma coisa bem inusitada.
JC - Como teve início sua carreira profissional?
Cássio - Comecei quando ainda era criança, na loja do meu pai. Lá aprendi a fazer serviço de banco e, devagar, passei a ver como funcionavam as coisas. Fazia faxina, varria, organizava o estoque, aprendi a mexer na parte elétrica e a fazer reparos, enfim, é preciso conhecer todos os lados da loja para poder gerenciar. Depois passei a fazer compras, cuidei da parte contábil e financeira da loja e assim fui organizando, coloquei uma gerente para ajudar nos negócios e montei uma loja pequena no Bauru Shopping Center.
JC - Como é seu dia-a-dia?
Cássio - Administro as quatro lojas da Casa Carvalho. São três em Bauru e uma Botucatu. Minha esposa sempre me ajudou e meu filho está começando a trabalhar comigo agora. Ele está dando uma força grande e assumindo responsabilidades na loja. E faz faculdade de administração para poder gerir os negócios juntamente comigo.
JC - O tino para o comércio é herança familiar?
Cássio - Sim. Começou com meu avô, depois passou para meu tio e meu pai. Eu acabei comprando a parte do meu tio, meu pai deu sua parte para mim e eu fiquei sozinho na loja. Aí montei duas lojas do Bauru Shopping Center, incluindo uma de calçados, e outra em Botucatu.
JC - A Casa Carvalho é um dos estabelecimentos mais tradicionais de Bauru, apontando tendência em roupas masculinas. Quem escolhe as peças e novidades da loja?
Cássio - Eu participo um pouco da escolha das roupas e produtos, mas tenho uma funcionária e minha esposa que fazem as compras das lojas do shopping e de Botucatu. Além disto, meu filho está entrando neste processo e tem um gosto mais jovem. Isto é importante porque é importante reciclar. Tenho um gosto e estilo, mas o da juventude é outro. É preciso evoluir para participar do nicho de pessoas que estão comprando.
JC - E qual é seu gosto e estilo para se vestir?
Cássio - Sou mais clássico, não sou tão arrojado ou me visto muito de forma descontraída. O jovem de hoje se veste de maneira diferente, usa camiseta, por exemplo.
JC - O senhor acha que os homens estão mais preocupados com a estética? Em que isso reflete no comportamento masculino?
Cássio - Os homens estão preocupados em se valorizar mais do que antigamente. Acho que a mídia mostra isto e ajuda a desmistificar a idéia de que o homem é “macho” e não pode fazer nada, que o homem tem que ser grosseiro e não pode ser delicado ou cortês. Acho que o homem precisa ter um trato mais elaborado, saber lidar com as pessoas, ser gentil, ter uma postura adequada e condizente com o contexto atual. Hoje em dia as exigências na área de relacionamento humano são maiores. As grandes empresas, por exemplo, contratam as pessoas não só pela capacidade, mas pelas suas atitudes e comportamento, que influenciam muito.
JC - Que fatos o senhor destaca como marcantes em sua trajetória?
Cássio - A prótese que coloquei na perna foi marcante e atrapalhou bastante. Andei durante dois anos de muleta e mais uns anos de bengala. Doía muito e deixei de praticar esporte. Mas esta fase passou e fiz outras conquistas, como me dedicar mais ao trabalho, à leitura, andar der moto e fazer passeios diferentes. Mas as coisas mais importantes da minha vida são casamento, meus filhos e a alegria que tenho de vê-los progredindo e sendo elogiados no trabalho. Acredito que quando eles casarem e vierem os netos será outra etapa, mas espero que esta fase venha na hora certa, não de surpresa.
JC - Qual sua maior paixão?
Cássio - Minha esposa e meus filhos. Também gosto de andar de moto, de crescer profissionalmente e fazer com que outras pessoas cresçam.
JC - E qual é seu lema de vida?
Cássio - Procuro estar envolvido com atividades que tragam resultados positivos não só para mim, minha família e meu estabelecimento, mas também para a comunidade em geral. Acho que se a comunidade cresce, os negócios crescem junto com a comunidade. Gostaria de vê-la cada vez melhor, com mais educação, condições financeiras, estabilidade e produtividade. Isto ajuda no desenvolvimento da cidade e de todas as pessoas.
JC - Além do comércio, o senhor tem grande participação na sociedade bauruense. Como avalia a atual conjuntura da cidade?
Cássio - Bauru é uma cidade que tem crescido, apesar das controvérsias políticas terem atrapalhado o crescimento econômico da sociedade. Há pouco tempo foi divulgado que Bauru é uma das cidades que mais tiveram investimentos nos últimos tempos no Estado. Isto prova que a sociedade de Bauru é disposta realmente a acreditar na cidade, trabalhar e fazer coisas diferenciadas. A postura do governo tem mudado, o administrador da cidade tem feito conquistas, como o Poupatempo, para Bauru. O Centro da cidade também tem se desenvolvido bastante, as lojas estão se remodelando e reciclando não só fisicamente mas por meio de seus funcionários. A região do Altos da Cidade está em grande expansão comercial, os corredores de tráfego como as ruas Araújo Leite e Antônio Alves e avenidas Getúlio Vargas e Nossa Senhora de Fátima fazem diferença. O Bauru Shopping cresceu muito e deve ter uma nova fase de expansão. Temos um posto de gasolina que está sendo coqueluche em decoração artdecô, inspirada nos anos 60. A cidade está em um bom caminho e está fazendo por merecer ser pólo regional.
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Perfil
• Nome completo: Cássio Nunes Carvalho
• Idade: 52 anos
• Local de nascimento: Bauru
• Esposa: Maria Elídia Souza Carvalho
• Filhos: Cássio Souza Carvalho e Fábio Souza Carvalho
• Hobbies: Passear de moto, ler e montar quabra-cabeças
• Livro preferido: Leitura variada; livros de auto-ajuda
• Time do coração: São Paulo e Noroeste
• Para quem daria nota 10: Esposa e filhos
• Para quem daria nota 0: Luiz Inácio Lula da Silva