09 de julho de 2026
Regional

Lageado chegou a ter mais de 1 milhão de pés de café

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Botucatu – No auge da expansão da economia cafeeira no oeste paulista, por volta de 1920, a Fazenda Lageado, localizada em Botucatu (a 100 quilômetros de Bauru), chegou a ter 1 milhão de pés de cafés. Para desovar a produção, a propriedade rural possuía um ‘braço’ da ferrovia.

Hoje conhecida apenas por Lageado, a fazenda englobava duas propriedades, a Lageado e a Edgardia, que remontam ao ciclo do café e foram compradas por 100 contos de réis, em 1881, por João Batista da Rocha Conceição, um parente do Conde de Serra Negra. Dessa época, restou na propriedade a Casa Grande, que hoje abriga o Museu do Café, os imensos terreiros, o moinho de fubá, a serraria e algumas construções.

Até 1934 a fazenda pertenceu ao particular, mas as novas relações de produção e nas formas de apropriação da terra, a abolição dos escravos e a crise internacional do café, em 1929, determinaram a transformação de propriedade particular em Estação Experimental do Café.

Nesse período, que perdurou até 1972, a fazenda passou a ser controlada pelo Serviço Técnico do Café, órgão do Ministério da Agricultura. O objetivo, na época, era que a estação desenvolvesse estudos completos sobre a cultura cafeeira.

Dessa segunda fase, já vinculada ao Governo Federal, restaram na propriedade alguns prédios que abrigavam a diretoria da estação, a hospedaria. Hoje, o imóvel abriga a incubadora de Agronegócios do Sebrae. Grande parte do acervo está preservada no museu.

Um decreto datado de 12 de dezembro de 1968 autorizou a União a ceder ao governo estadual a área para instalação de uma unidade de ensino superior, atualmente Universidade Estadual Paulista (Unesp) e que comporta a Faculdade de Ciências Agronômicas e parte da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia.

Hoje, todo esse espaço está sendo revitalizado por meio do Projeto de Revitalização do Uso da Área Histórica da Fazenda Lageado, que teve início no ano passado e tem por objetivo preservar a área chamada de ‘sítio histórico’.

Focado no trabalho desenvolvido pelo arquiteto botucatuense Guilherme Michelin, batizado de “Parque Urbano-Fazenda Lageado”, o projeto demandou oito anos de intensa pesquisa e levantamento de informações e dados.

O projeto, considerado ousado e inovador, propõe a utilização do antigo leito da ferrovia que unia a Fazenda Lageado (hoje desativada) à cidade, como forma de integração e acesso às unidades instaladas em Rubião Júnior, explica o coordenador José Eduardo Candeias. “O atual leito da ferrovia, hoje subutilizado, voltaria a servir de união e integração entre esses dois importantes pólos de desenvolvimento de pesquisa e de atração turística”, diz.

Para o caminhante que disputa espaço com os veículos nas vias do plano diretor, o arquiteto propõe um novo traçado. “Ao invés de utilizar as atuais vias, será implantado um traçado margeando o ribeirão lavapés. Para tanto é preciso livrá-lo da poluição que hoje o compromete.”

Outra proposta prevista são os espaços definidos para prática de atividades físicas, como arvorismo, ciclismo e outros atrativos. Todas as inovações pretendem manter a harmonia entre o passado histórico e a modernidade das instalações da universidade, o contraste entre o moderno e o antigo, o arrojado e o tradicional, que criam uma situação peculiar.