11 de julho de 2026
Internacional

Candidatos opostos disputam hoje a presidência do Equador

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Quito - Traumatizado por dez anos de instabilidade política, um desanimado Equador vai às urnas hoje com poucas esperanças de encerrar um longo ciclo de ingovernabilidade que abreviou os mandatos dos três últimos presidentes eleitos do país. As pesquisas eleitorais mostram o representante da “onda de esquerda’’ latino-americana Rafael Correa em primeiro lugar, seguido pelo magnata da banana direitista Alvaro Noboa, que, na reta final, roubou o segundo lugar de León Roldós, de centro-esquerda.

Apesar dos levantamentos indicarem um provável segundo turno entre Correa e Noboa em 26 de novembro, o alto número de indecisos -32%, segundo o Informe Confidencial - e a conhecida volatilidade do eleitorado equatoriano aumentam a imprevisibilidade do primeiro turno, disputado por 13 candidatos.

“Os levantamentos fazem prever Correa e Noboa no segundo turno, polarização que, desde já, não pressagia que possa haver o consenso que parte da opinião pública reclama há anos”, disse à reportagem o analista José Hernández, diretor editorial da revista “Vanguardia”.

Para Hernández, Correa representa uma “esquerda radical e arcaica”, enquanto Noboa é parte de uma “direita reacionária, que não tem escutado as exigências de uma parte da população que reclama novos mecanismos de representação”.

Aliado de Hugo Chávez, Correa defende um programa de governo que segue o receituário do presidente venezuelano, com a convocação de uma Assembléia Constituinte e o aumento da participação do Estado na indústria petroleira, principal atividade econômica do país.

No caso específico da Petrobras, defende a moratória de um bloco de exploração de petróleo da empresa dentro do parque Yasuní, na Amazônia, ainda fora de operação. Buscando capitalizar a alta rejeição dos políticos, o partido de Correa, Alianza Pais, não tem candidatos ao Congresso, apostando numa Assembléia Constituinte para tentar assegurar a governabilidade.

No outro lado do espectro, Noboa, que se diz “enviado de Deus ao Equador”, cresceu na reta final torrando dinheiro em distribuição de computadores, cadeiras de roda e até financiando vendedores ambulantes de loteria.

“Essas práticas nos indicam quais são as políticas de Estado que Noboa implantaria”, afirma Hernández. Considerado o homem mais rico do Equador, Noboa foi quem mais gastou na campanha: declarou gastos de US$ 2,5 milhões, de acordo com a ONG Participação Cidadã. Em segundo, aparece Correa, com US$ 1,7 milhão.

Para o cientista político Pablo Andrade, da Universidade Andina Simon Bolivar, enquanto Correa duraria “de três a seis meses”, pela falta de apoio no Congresso, Noboa tem mais chances de terminar o mandato.

“Ele ganharia com um alto número de deputados, o que é a verdadeira medida de força dos partidos. Isso lhe asseguraria uma certa lua-de-mel para comprar tempo e vontades, como as das Forças Armadas e dos movimentos populares.” Além do presidente e do vice - que, dado o histórico da política equatoriana, tem grandes chances de substituir o líder -, o Equador elegerá também hoje cem deputados, vereadores e conselheiros de Província.