09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Nada de propostas, apenas acusações


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No último dia 8, aconteceu o primeiro debate do segundo turno para as eleições presidenciais. A presença do presidente Lula foi confirmada e o esperado confronto entre ele e Geraldo Alckmin ocorreu. No primeiro afronte, pode-se perceber que a tônica da campanha para o segundo turno será a mesma do anterior: acusações de corrupção, ataques contra o adversário, discussão ética e moral serão, de novo, o foco. Infelizmente, poucos projetos políticos foram apresentados e a expectativa do eleitor em poder avaliar qual candidato tem melhores propostas para desenvolvimento e crescimento do país não foi cumprida.

Logo na primeira pergunta do debate, Alckmin, como de esperado, partiu para o ataque e questionou Lula sobre a fonte dos R$ 1.750.00 para a compra do Dossiê Vedoim. Para rebater, o petista fez pergunta voltada para as transações do ex-secretário de Habitação do governador Alckmin, Barjas Negri, quando este era ministro da Saúde no Governo FHC e seu envolvimento com nos escândalos dos “sanguessugas” e “vampiros”. As acusações recíprocas continuaram e feridas de ambos os candidatos foram expostas. Lula falou da situação caótica da segurança pública e da Febem em São Paulo, criticou as 69 CPIs engavetadas na Assembléia Legislativa e cutucou a crise da educação pública no estado, com fraco desempenho no Enem.

Alckmin, por sua vez, apontou para a constante omissão do presidente diante dos casos de corrupção. Recriminou os projetos inacabados do governo federal como a refinaria de Pernambuco, a Transnordestina e a Transposição do Rio São Francisco e criticou a política externa brasileira, colocando como “humilhante” a atuação do governo brasileiro na questão entre a Petrobras e Evo Morales. Outro ponto de questionamento do tucano foi a situação das estradas brasileiras e a operação “tapa-buraco” realizada às pressas.

O decepcionante do debate foi que não foram apresentadas propostas para solucionar os problemas que corroem a sociedade brasileira. Não se falou como o próximo governante irá atuar para sanar a crise da Previdência, nem citaram como irão resolver a questão tributária que espolia o cidadão. Não expuseram suas propostas sobre as deficiências da saúde e educação públicas e nem como pretendem fazer o país. A discussão ética e moral continua sendo a prioridade nos discursos de cada candidato e as acusações entre partidos vão ser as principais táticas para a conquista de votos, infelizmente.

Bernardo Sanches, estudante de jornalismo da Unesp