Qualquer pessoa pode desenvolver os distúrbios da ansiedade. Depende muito do ambiente onde ela vive. Locais onde há estresse, problemas financeiros e de relacionamento são propícios para o surgimento de crianças igualmente perturbadas emocionalmente. A avaliação é da psicóloga Ana Cláudia Comegno.
Segundo ela, algumas pessoas conseguem se controlar diante de situações adversas como essas, mas outras não têm a mesma facilidade e passam a usar alguns artifícios para se “desestressar”. É nesse ponto que as crianças começam a comer demais ou de menos, roer unha, ficar agitadas, agressivas e deixam de fazer coisas que até então tinham prazer.
Também não é normal crianças excessivamente preocupadas ou apreensivas com o futuro, palpitações, dificuldade de concentração ou medo exagerado. Se isso está ocorrendo, é possível que a criança esteja sofrendo de algum distúrbio da ansiedade. As crises podem ocorrer quando as crianças passam por mudanças significativas em suas vidas, como a troca de escola, de casa, a perda de alguém muito próximo e querido, separação dos pais ou a chegada de um irmão ou irmã.
A ansiedade não escolhe idade nem sexo. Ela atinge tanto crianças quanto adultos, homens ou mulheres. Segundo Ana Cláudia, a falsa sensação de que o problema atinge mais as mulheres se deve ao fato do público feminino expressar com mais clareza seus sentimentos. “Muitas vezes, ouvimos falar que a menina é mais sensível (ao problema), mas os meninos também sentem muito. A diferença é que eles não demonstram de imediato, como fazem as meninas”, explica.
De acordo com ela, o sucesso do tratamento das crianças e adolescentes que sofrem de ansiedade exagerada depende muito da colaboração dos pais. “São 50 minutos por semana no consultório. O restante do tempo eles ficam em casa com os pais ou na escola”, justifica.
Quando o paciente é filho de pais separados, o tratamento tende a ficar um pouco prejudicado. Na tentativa de agradar, os pais acabam abrindo mão de algumas regras e limites conquistados a duras penas com o trabalho psicológico.
“A criança precisa muito da colaboração dos pais. Senão, a gente constrói aqui (no consultório), mas quando chega em casa acontece o oposto”, diz Ana Cláudia. “Não adianta levar ao psicólogo e esperar que ele vá resolver tudo. Nós só vamos chegar a algum lugar juntos”, orienta.